Musicais estão de volta mais realistas e sensuais

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Publicado terça-feira, 18 de março de 2003 as 15:02, por: cdb

Esqueça os velhos e magníficos musicais que você assistiu. O estilo que consagrou Fred Astaire e Ginger Rogers está de volta, só que muito mais realista, sensual, perigoso, engraçado.

Prova disso é que ainda no ano passado, Moulin Rouge, com Nicole Kidman e Ewan McGregor, foi o grande destaque do Oscar. Este ano, Hollywood repete o feito e coloca o musical Chicago entre os preferidos da Academia, concorrendo a 13 estatuetas, entre elas melhor filme, diretor (Rob Marshall), atriz (Renée Zellweger), ator coadjuvante (John C. Reilly), e duas indicações para atriz coadjuvante (Queen Latifah e Catherine Zeta-Jones).

Com a badalação que se fez em torno de Chicago, parece que Hollywood está definitivamente ressuscitando o gênero que foi dominante nos anos 40 e 50. Nas décadas de 60 e 70, musicais como My Fair Lady, A Noviça Rebelde e Cabaret ganharam o Oscar. Já nos anos 90 o estilo ficou esquecido, mas voltou com força total em 2001, com Moulin Rouge, primeiro musical a ser indicado ao Oscar desde All That Jazz, em 1980.

Chicago é uma adaptação do espetáculo criado por Bob Fosse, que estreou na Broadway em 1975. Animado com o sucesso de Cabaret (1972), Fosse começou a pensar em transportar Chicago para o cinema. O caminho foi longo (quase 20 anos) e até o produtor Marty Richards, hoje com 70 anos, chegou a pensar que não estaria vivo para ver a versão cinematográfica. Na metade dos anos 80, ele e Fosse iniciaram as negociações com Madonna, que deveria interpretar o papel de Catherina Zeta-Jones. Em 87, Fosse morreu e o projeto ficou engavetado até 1990, quando a Miramax se interessou pelo filme. Desde então, até sua estréia, muita gente já passou pelo projeto: Goldie Hawn, Nicole Kidman, Kathy Bates e Charlize Theron, entre outras.

Muito diferente do mundo romântico, utópico e infinitamente feliz que era retratado nos musicais do passado, Chicago se passa em 1929 e mistura assassinato, paixão, sexo e fama, muita fama. Roxie Hart (Renée Zellweger) é uma aspirante a cantora de cabaré na cidade de Chicago, que sonha com o mundo do show-business para mudar sua vida monótona. Acusada de crime passional por ter matado o amante, Roxie vai para cadeia. De lá ela contrata o advogado Billy Flynn (Richard Gere), profissional sem caráter que aceita defendê-la em troca de honorários generosos. Esperto, ele conhece outra vedete criminosa, Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), com quem disputa atenção da mídia. Aos poucos, Roxie se torna celebridade e sua carreira explode. Misturando realidade e fantasia, música e dança, o mundo de Roxie se transfere do tribunal para o palco.

Talvez o grande desafio dos novos musicais – que sempre tentam transpor para a tela um show cantado e dançado, sem ficar chato – seja também resolver um problema muito comum nas antigas produções: na maioria dos musicais era possível ver os atores cantando um para o outro, sem se dirigirem à platéia. Seguindo as lições já ensinadas pelo próprio Fosse em Cabaret, todas as canções são apresentadas num palco ou então são fantasiadas na cabeça de alguém.

Dentro da dinâmica dos musicais, elas servem para comentar ou criticar um fato, ou simplesmente para dar passagem a outro acontecimento. Para tanto, o filme se apóia em Roxie Hart, que divide-se entre a realidade de Chicago e seu mundo imaginário. Disposta a fazer qualquer coisa para estar em cena e viver os desejáveis 15 minutos de fama, a cantora só consegue ver sua vida em inúmeras seqüências musicais, passeando livremente por essas duas realidades.

Por conta das indicações de Moulin Rouge e Chicago ao Oscar, estão novamente abertas as portas do cinema ao gênero musical. Tanto é verdade que há vários musicais em fase de pré-produção ou como projetos para os próximos anos. Entre eles está a versão do clássico Guys and Dolls, musical de 1955, que teve Marlon Brand