Multidão ovaciona Chávez na contracúpula

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Publicado sexta-feira, 4 de novembro de 2005 as 19:04, por: cdb

As dezenas de milhares de pessoas que lotaram um estádio de futebol nesta sexta-feira, em Mar del Plata, para protestar contra a presença do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na Cúpula das Américas, celebraram a presença do maior adversário de Bush na região, o presidente venezuelano Hugo Chávez. Os manifestantes seguiram a pé por mais de três quilômetros, sob chuva fina, até o estádio da cidade argentina, que também sedia a reunião de protesto da Cúpula dos Povos.

O maior ídolo do futebol argentino, Diego Maradona, tomou a frente do protesto. O presidente Chávez foi ovacionado durante seu discurso por uma multidão ansiosa para repudiar a presença de Bush.

– Bush, fascista, é um terrorista! – era um dos refrões gritados pelos manifestantes.

Assim que chegou à Argentina, Chávez defendeu que os mandatários presentes à cúpula pusessem uma pedra sobre o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

– Viva Che Guevara! Aqui está o túmulo da Alca! – proclamou Chávez para uma multidão de militantes de esquerda e ativistas de direitos humanos. O discurso do presidente venezuelano durou mais de duas horas.

A Alca é um tema-chave das negociações da cúpula entre os líderes americanos. Muitos dentre eles desejam ressuscitar o projeto e definir o reinício das negociações para um acordo. Já os manifestantes presentes no estádio de Mar del Plata afirmam que a liberação do livre comércio na região aumentaria as desigualdades e a pobreza:

– Estamos aqui porque repudiamos Bush, porque acreditamos que ele é um assassino. Viemos defender a unidade da América Latina e ver o nosso irmão Chávez – disse Marina Soza, de 37 anos, que estava com o filho de dez anos.

Junto com o presidente da Venezuela, lideraram a sessão de protesto Maradona e o líder “cocalero” boliviano Evo Morales. Chávez, no entanto, foi quem atraiu mais a atenção e a idolatria das pessoas. “Não só devemos enterrar a Alca, como também o modelo capitalista neoliberal que, de Washington, atenta contra os nossos povos há tempos”, declarou.

A Argentina, depois de implantar as políticas liberais dos anos 1990, viveu no início desta década uma dura crise econômica.