Mulher morre por falta de atendimento em Centro de Saúde de Belo Horizonte

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 01:08, por: cdb

Um dia depois da morte da dona de casa Iêda Corrêa Brum, 50 anos, enterrada na última quarta-feira no Cemitério da Paz, o Centro de Saúde Nagib Saliba, localizado na Pedreira Prado Lopes, na Região Noroeste de Belo Horizonte, ficou fechado.
 
A família da dona de casa confirmou que vai entrar na Justiça contra a Prefeitura de Belo Horizonte por omissão de socorro. Iêda Brum teria morrido sem receber atendimento médico, em uma casa que fica a pouco mais de 20 metros do centro de saúde, conforme denúncia feita por seu marido, Italcísio Ramos Brum.

– A funcionária do centro de saúde disse que Iêda não poderia ser atendida porque os médicos estavam em reunião. A minha amiga morreu sem ser atendida, mesmo depois de muita insistência. Eu disse a uma funcionária do posto que ela estava sentindo muita dor no peito – contou Maria das Graças Guedes, dona da casa onde Iêda Corrêa começou a passar mal e em seguida faleceu.

A informação dada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de que a dona de casa recebeu assistência médica no cento de saúde é contestada por Maria das Graças, conforme depoimento dado à Polícia Civil. Ela revelou que uma equipe esteve em sua casa, onde acharam Iêda Brum morta.

Maria das Graças Guedes contou que há três dias sua amiga vinha tentando atendimento nos centros de saúde da Pedreira Prado Lopes e do Bairro Bom Jesus, onde morava.
 
– É revoltante saber que a minha mulher deixou quatro filhos e que ela poderia estar viva se tivesse sido atendida. Por causa de uma reunião, os médicos não puderam atender minha mulher – declarou Italcísio Brum.

Ele disse que a PBH não ajudou a pagar as despesas do sepultamento, que ficaram em R$ 900. O dinheiro foi arrecadado com a ajuda de amigos.

Os moradores da Pedreira Prado Lopes, que na terça-feira ameaçaram colocar fogo no centro de saúde, prometem fazer um protesto contra a morte de Iêda Brum. A data ainda não foi definida. A morte da dona de casa está sendo investigada pelo delegado do 4º Distrito Policial, Anderson Bahia.
 
Na última terça-feira à tarde ele ouviu a equipe médica do centro de saúde, que foi liberada após os depoimentos. Segundo o delegado, os funcionários disseram que Iêda Brum foi orientada a procurar o Hospital Odilon Behrens, já que o caso era de urgência e emergência.
 
Conforme o delegado, somente após o laudo de necropsia do IML, que deverá indicar a causa da morte, e os interrogatórios das testemunhas, é que ele poderá concluir se houve omissão de socorro.

Conforme a SMS, uma sindicância foi aberta para esclarecer quaisquer dúvidas em torno dos procedimentos adotados. De acordo com a secretaria, o fechamento ontem foi em respeito à moradora e para redefinir o funcionamento da unidade.
 
Representantes da Pedreira Prado Lopes, do Sindicato dos Servidores Públicos, do Sindicato dos Médicos e da Prefeitura de BH se reuniram ontem no Colégio Municipal para discutir se o centro de saúde seria reaberto a partir desta quinta-feira. Até o fechamento desta edição, a decisão sobre o destino do Centro de Saúde não havia sido tomada.