Muhammad Ali, mito do boxe, completa 60 anos

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Publicado quinta-feira, 17 de janeiro de 2002 as 19:50, por: cdb

Em 17 de janeiro de 1942, há exatamente 60 anos, nascia um dos maiores mitos do esporte: Cassius Marcellus Clay. Ele começou no boxe aos 12 anos e ganhou destaque internacional nas Olimpíadas de Roma, em 1960, quando conquistou a medalha de ouro na categoria peso pesado. Quatro anos depois, ele se tornou campeão mundial. No mesmo ano, em 1964, Clay se converteu ao islamismo, mudou o nome para Muhammad Ali e se tornou um símbolo na luta contra o racismo e na defesa do Islã.

Em 1967, Ali se recusou a lutar pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e, como conseqüência, teve seu título mundial cassado. “O campeão mundial dos pesos pesados é aquele que pode derrubar qualquer um, o que é fisicamente mais forte em cima do ringue. Hoje eu posso derrotar qualquer homem do mundo e eu nunca perdi. Eu venci Sonny Wilson (na conquista do título mundial) lutando e de forma limpa”, protestou Ali na época.

“Eu sou o lutador com mais classe e o peso-pesado mais rápido de toda a história. É impossível alguém dizer que me destronou, quando eu nunca fui derrotado”, acrescentou o pugilista. Por causa da recusa em ir para a Guerra do Vietnã, Ali ficou afastado do esporte por três anos, mas declarou nunca ter se arrependido.

Seu ato dividiu os americanos. De um lado ficaram os que viam nele um herói pacifista e, de outro, os que achavam que ele era apenas um jovem rico querendo fugir do serviço militar. Em 1974, aconteceu a volta triunfal. Ali conquistou novamente o título mundial, aos 32 anos de idade, em uma histórica luta contra o também americano George Foreman.

A luta foi realizada no Zaire (atual República Democrática do Congo) e Foreman foi nocauteado no oitavo assalto. “Silêncio. Atenção, todo mundo! Eu avisei a todos os meus críticos, eu disse a todo mundo que eu era o melhor de todos os tempos, quando derrotei Sonny Liston”, disse o campeão logo após a luta. “Nunca me façam de perdedor até que eu chegue aos 50 anos. Aí então, talvez alguém consiga me pegar.”

Ali voltou às manchetes dos jornais na Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando recebeu uma homenagem dos organizadores e foi convidado para acender a pira olímpica. Entretanto, o que mais chamou a atenção foi a dificuldade do ex-campeão segurar a tocha. Com a mão trêmula por causa do Mal de Parkinson, Ali demorou para acender a pira olímpica e foi aplaudido de pé pelo estádio lotado.