Muda o comando no setor petrolífero brasileiro

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Publicado terça-feira, 1 de janeiro de 2002 as 20:16, por: cdb

O mercado brasileiro de petróleo inicia 2002 com mudanças no comando de suas duas principais instituições. No fim da manhã desta quarta-feira, o economista Francisco Gros assume a presidência da Petrobras, deixando o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES).

À tarde, o embaixador Sebastião do Rêgo Barros, recém-chegado da tumultuada Argentina, é empossado como diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os dois terão pela frente a missão de conduzir a etapa final do processo de abertura do setor, com a liberação das importações de gasolina e diesel. O carioca Gros, que também presidiu o Banco Central e a Aracruz Celulose, assume a estatal no momento em que a empresa perde o último resquício de monopólio: o fornecimento dos principais derivados de petróleo para o mercado brasileiro está totalmente livre a partir de hoje. O executivo vem de dois anos à frente do BNDES e substituirá Henri Philippe Reichstul no comando da estatal. Gros participou do Conselho Nacional de Desestatização (CND) e da Câmara de Gestão da Crise Energética (GCE).

Especialistas do setor não vêem muitas alterações no rumo da companhia com a mudança de comando. Apesar de ter construído sua carreira no setor bancário – foi também diretor do Unibanco e da Multiplic Corretora – Gros está familiarizado com os negócios da estatal, pois é membro do Conselho de Administração da companhia.

A dúvida, segundo alguns analistas, é se Gros terá a mesma linha de atuação de Reichstul, que chegou a comprar briga com a ANP para defender a primazia da Petrobrás no mercado de gás natural. Neste mesmo setor, Gros e Rêgo Barros já têm uma pendência pela frente. A britânica BG acusa a Petrobras de tentar impedir as entregas do gás natural que a multinacional importa da Bolívia.

A BG não está trazendo gás desde o meio de dezembro e espera que o embaixador resolva o problema. Na avaliação de especialistas, Rêgo Barros tem habilidade para conciliar, necessária em um mercado em transição entre o monopólio estatal e a competição.

Barros tem uma trajetória profissional diversificada, que inclui do Departamento Econômico do Itamaraty às embaixadas na Rússia e na Ucrânia. Formado em Direito, tornou-se diplomata e em seguida cursou Economia Internacional na Universidade de Georgetown, em Washington.