Muçulmanos advertem contra clérigos radicais

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Publicado quinta-feira, 27 de dezembro de 2001 as 18:29, por: cdb

Destacados líderes muçulmanos britânicos estão pedindo uma ação urgente do governo para impedir que as mesquistas do país sejam alvo de clérigos islâmicos radicais que tentam recrutar jovens influenciáveis. O apelo ao governo da Grã-Bretanha se deu após a revelação de que Richard Reid, 28, o homem que tentou explodir um avião da American Airlines no sábado passado, é um muçulmano de origem britânica que freqüentou a Mesquita de Brixton (no sul de Londres).

Reid foi preso nos Estados Unidos, após ter tentado detonar explosivos que estavam presos à sola de seu sapato em um vôo que ia de Paris (França) a Miami (Estados Unidos). De acordo com lideranças muçulmanas britânicas, Richard Reid é um entre muitos jovens que foram seduzidos pelo extremismo quando recrutados por pessoas que freqüentam as mesquistas do país.

Segundo Zaki Badawi, o diretor do Muslim College (Faculdade Islâmica), o Ministério da Justiça britânico deve parar de facilitar a concessão de vistos a clérigos islâmicos que não falam inglês e que não são capazes de controlar os extremistas que acabam assumindo o controle de suas mesquitas. O Ministério da Justiça negou que venha facilitando a entrada de clérigos muçulmanos na Grã-Bretanha.

Em entrevista ao jornal inglês The Times, Badawi disse que grupos militantes também estão cooptando jovens estudantes, para lhes dar lições de um ramo radical do islamismo. Badawi afirmou ainda que tanto o Ministério da Justiça como as comunidades muçulmanas estão hestitando em agir contra os extremistas. De acordo com Abdul Haqq Baker, líder da mesquita de Brixton, existem até mil extremistas islâmicos na Grã-Brtetanha. Segundo ele, destes mil pelo menos cem estariam dispostos a cometer atentados suicidas.

“Os que pregam visões extremistas são numericamente poucos, mas nos últimos quatro ou cinco anos tem havido um aumento assustador neste número”, disse Baker. O líder da mesquita afirmou que Reid começou a usar uniformes militares e a falar sobre uma jihad (guerra santa).

Outro freqüentador da mesquita era Zacarias Moussaoui, a única pessoa indiciada até o momento sob acusação de envolvimento direto nos atentados de 11 de setembro. De acordo com Baker, a polícia seguidamente ignorou suas advertências de que agentes de recrutamento radicais vinham agindo em sua mesquita.