MST pressiona para reforma agrária e Fetape ocupa 18 áreas

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Publicado domingo, 22 de junho de 2003 as 16:57, por: cdb

Cerca de 600 trabalhadores rurais sem-terra ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) ocuparam neste domingo pela manhã, 18 áreas em todo o Estado, como forma de pressionar o Incra a realizar vistorias e desapropriações de terras reivindicadas pelo movimento.

O Movimento dos Sem-Terra (MST) faz neste domingo uma assembléia no Engenho Bonito, em Condado, na zona da mata, podendo decidir cumprir a promessa de fazer reforma agrária no local “na marra”.

De acordo com o líder Jaime Amorim, no dia 20 expirou o prazo dado ao Incra para realizar vistorias e desapropriações neste engenho, além de cinco outros da Usina Santa Teresa, em Tracunhaém, e na Usina Aliança, município de Aliança, todos na zona da mata.

– O acordo não foi cumprido e algo vai ser feito pelos trabalhadores – afirmou ele.

Em uma audiência pública realizada há duas semanas no Recife, com a presença do presidente nacional do Incra, Marcelo Resende, e do ouvidor agrário nacional do Incra, Gersino Silva, Amorim prometeu partilhar as terras do Engenho Bonito, pertencente ao Grupo João Santos, um dos mais fortes do Estado, com as famílias que estão há sete anos acampadas no local caso o órgão não fizesse a desapropriação.

O Incra havia iniciado as vistorias dos cinco engenhos da usina Santa Teresa, incluindo o Prado, onde no início do mês os acampados incendiaram tratores e depredaram imóveis, mas o Tribunal Regional Federal (TRF-5. região) determinou a suspensão dos trabalhos acatando pedido do proprietário da Santa Teresa, que também pertence ao grupo João Santos.

As ocupações da Fetape foram realizadas de forma pacífica em terras vizinhas às áreas pretendidas pelos trabalhadores para não inviabilizar eventuais desapropriações, já que áreas invadidas passam dois anos fora da reforma agrária.

A Fetape tem outros 102 acampamentos reunindo um total de 8 mil famílias acampadas à espera de terra.

Foi a segunda jornada de ocupações articuladas pela federação neste ano. Em abril, foram ocupadas outras cinco. Segundo o diretor de política agrária da federação, Doriel Saturnino, a morosidade do Incra tem dificultado o processo de desapropriação.

– Eles demoram demais a fazer vistorias, dando tempo ao proprietário fazer alguma intervenção na área, botando algumas cabeças de gado, por exemplo, para os técnicos dizerem que a terra é produtiva – observou ele, ao informar que algumas terras reivindicadas pela Fetape estão há dois anos à espera de vistoria.

Na zona da mata os trabalhadores ocuparam as áreas vizinhas aos engenhos Vermelho, Esperança e Areal, em Tamandaré; São Salvador, Perseverança e Maravilha em Marial; e Guloso e Autonomista em Amarají.

No agreste as terras reivindicadas são as fazendas Itapicuru, em Iatí; Barra e Veneza, em Pedra; Boi Velho, em Gravatá; Eureca, em Santa Cruz do Capibaribe; e uma (o nome não foi fornecido) em Jataúba; no sertão, Campo Alegre, no município de Dormentes; Panorama e Vila Nova em Ibimirim; e Cacimba Nova, em Serra Talhada.