MST dá início a onda de ocupações

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2004 as 11:32, por: cdb

Integrantes do Movimento dos Sem-Terra ocuparam parte da fazenda União do Brasil, em Buri, região de Itapetininga. De acordo com os próprios trabalhadores rurais, 300 famílias estão no local. Segundo a Polícia Civil, apenas um boletim de ocorrência foi registrado. A Polícia Militar não foi acionada. Apenas uma ação judicial pode obrigar os trabalhadores a sair da fazenda. Os proprietários seriam da capital. As famílias são da própria região e saíram de um acampamento de Itaberá.

No interior de Pernambuco, o MST também ocupou, na manhã desta terça-feira, a Fazenda Quixaba, no município de Belém do São Francisco pertencente à família Araqüan. Segundo a própria família, a ocupação foi pacífica.

A propriedade fica a 8 km do centro da cidade e está sendo ocupada por 50 famílias ligadas ao MST. Quixaba é uma das três fazendas da família Araqüan, que junto com Ipoeira e Forma da Onça somam 17 mil hectares.

Integrantes do Fórum Nacional de Reforma Agrária, que reúne os principais movimentos camponeses do país, esperam que 47 mil famílias estejam assentadas até o final do primeiro semestre – ou vão pressionar pela substituição dos responsáveis pelo fracasso.

Depois de um ano e três meses de avanços tímidos na Reforma Agrária, os principais movimentos sociais do campo parecem ter definido um ponto de referência que determinará, de vez, a agenda de suas lutas: se o governo federal não cumprir a meta do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) apresentado no final do ano passado de assentar 47 mil famílias no primeiro semestre deste ano, será exigida a substituição dos responsáveis. Nesta sexta-feira, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, anunciou a dirigentes dos movimentos que fazem parte do Fórum Nacional da Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) que, até o fim de março, as famílias assentadas em 2004 somarão 11 mil.

Porta-voz da Presidência da República, André Singer afirmou na noite desta segunda-feira que o governo considera legítimas as manifestações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sobre a reforma agrária, “desde que não haja desrespeito à Constituição”:

— O governo considera que manifestações sobre a reforma agrária são legitimas desde que se mantenham no marco da legalidade — afirmou.

Ele informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir nesta terça-feira com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, para examinar a execução orçamentária para o setor.

No encontro com Rosseto Lula cobrou explicações sobre o andamento da reforma agrária e analisou a movimentação dos sem-terra. Para o presidente, segundo assessores, a área tem recursos e não há mais razão para o processo não avançar.

O encontro ganhou mais importância depois das declarações do líder do MST João Pedro Stédile de que haverá uma onda de invasõesl “para infernizar a vida do governo” e cobrar pressa na reforma agrária.