MST concede trégua de três meses ao governo colombiano

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Publicado sábado, 25 de outubro de 2003 as 20:23, por: cdb

O Movimento dos Sem-Terra concedeu ao Governo de Carlos Mesa uma trégua de pelo menos três meses, após chegar a um princípio de acordo sobre a ocupação da fazenda de um parente do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, em La Paz. O líder do MST, Ángel Durán, disse que a organização concederá uma trégua ao Governo para que o problema ‘seja solucionado de forma coordenada e no marco das normas de saneamento da lei Inra’, o Instituto Nacional de Reforma Agrária.

Durán ressaltou que o prazo concedido às autoridades é de ‘entre três e quatro meses’. Porém, ele enfatizou que, ‘se for necessário, será prolongado’, dados os resultados obtidos pelo gabinete do novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, que assumiu o governo em 17 de outubro passado.
 
– Se não der resultado, vamos voltar a ocupar as terras – advertiu o líder sindical.

Para a tomada desta decisão, foi determinante o princípio de acordo alcançado na sexta-feira com o Executivo sobre uma fazenda de 1,8 mil hectares de um parente de Sánchez de Lozada, em Collana, 50 quilômetros ao sul de La Paz.

O Governo se comprometeu a enviar na segunda-feira uma comissão técnica do Ministério de Assuntos Camponeses, Indígenas e Agropecuários e do Inra à fazenda ocupada no dia 20 de outubro passado por camponeses desse território. Em troca, as autoridades conseguiram que o MST assumisse o compromisso de deixar a propriedade, com exceção de um pequeno grupo de agricultores que se encarregará ‘da limpeza, da administração e da alimentação do gado’, declarou Durán.

– Foi proposto pelo MST que passe a ser administrada através de uma universidade ou um instituto técnico uma área de 300 hectares desse terreno, enquanto os 1,5 mil restantes deverão ser usados para beneficiar todos os companheiros dessa região – acrescentou.

Sobre a ação do Movimento dos Sem Terra em outras regiões do país, Durán informou que, nos últimos dias, foram tomadas duas propriedades em Tarija, que, junto às nove ocupadas desde 2000, somam cerca de 35 mil hectares. Na área norte de Yungas e na província Iturralde foram tomados entre 10 mil e 12 mil hectares, enquanto em Santa Cruz, leste da Bolívia, ‘estamos falando de aproximadamente 50 mil’, detalhou o líder camponês.

Entre outras demandas, o MST exige do Governo a entrega de títulos agrários e a agilização dos trâmites sobre as propriedades disputadas, além da libertação de dois dirigentes desse setor presos na prisão de San Pedro, na cidade de La Paz.