Movimentos sociais defendem mudanças na política econômica

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Publicado quarta-feira, 26 de abril de 2006 as 13:09, por: cdb

As organizações civis que participaram do II Fórum Social Brasileiro aprovaram em plenária nacional, no final da noite desta terça-feira, as propostas para a construção de um projeto de desenvolvimento nacional popular e democrático. O fórum foi promovido pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e terminou no último domingo, em Recife (PE). A aprovação das propostas ocorreu na sede Central Única de Trabalhadores (CUT), em São Paulo. Além da CUT, fazem parte da coordenação o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

No documento final, as entidades defendem mudanças na política econômica, com queda de juros e do superávit primário. “Não é possível a manutenção das mais altas taxas de juros do mundo como instrumento de combate à inflação, que deve ser contida por outros meios, sem provocar recessão”, destaca o texto, que ainda pede auditoria e redução das dívidas interna e externa, fim das privatizações de empresas estatais e desenvolvimento sustentável.

As propostas dos movimentos sociais foram divididas em quatro temas: soberania nacional, desenvolvimento, democracia no Brasil e direitos para o povo. Com relação à soberania nacional, as entidades pedem o fim da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e dos acordos de livre comércio dos países latino-americanos com os Estados Unidos.

“Para fazer frente à ditadura do mercado e à ordem neocolonial imposta pela única superpotência do mundo atual – os Estados Unidos- sobre nossos países e povos, sublinhamos o importante papel do Brasil para uma integração latino-americana que tenha como base a solidariedade e a complementaridade de nossas economias”, diz o documento.

Outra proposta das entidades civis é a retirada das tropas militares da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti. Para que o Brasil seja um país mais democrático, elas pedem liberdade de atuação dos movimentos sociais, além de combate à corrupção, transparência na administração pública e democratização dos meios de comunicação.

“A construção de um Brasil soberano, justo e desenvolvido passa necessariamente pelo fortalecimento dos movimentos sociais. É preciso mobilizar o povo para impedir o retrocesso e exigir o avanço das mudanças”, afirmam as entidades.

Em relação aos direitos do povo, os movimentos apresentam como medidas necessárias: a geração de mais empregos, maior volume de investimento público nos setores sociais, reparação dos danos provocados pela ditadura militar, saúde e educação públicas de qualidade e promoção da reforma agrária.