Movimentos protestam em frente à Embaixada do Paraguai no Rio

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Publicado sexta-feira, 22 de junho de 2012 as 17:58, por: cdb

Um grupo formado por cerca de 100 manifestantes se concentraram na tarde desta sexta-feira (22) em frente à Embaixada do Paraguai, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ) para prestar solidariedade ao presidente paraguaio Fernando Lugo, vítima do que as forças de esquerda da América Latina estão chamando de golpe branco. Até o fim da manifestação, Lugo não havia sido destituído.


Vindos diretamente do Aterro do Flamengo, onde aconteceu o encerramento da Cúpula dos Povos, promovido pelos movimentos sociais, paralelamente à Rio+20, penduraram bandeiras e ergueram cartazes para alertar sobre as intenções da direita paraguaia, apoiada por países imperialistas.

“As forças imperialistas estão por traz desse golpe que, muito possivelmente, tenha sido previamente arquitetado. Os Estados Unidos está o tempo todo analisando de que maneira derrubar os governos da América Latina, populares, eleitos democraticamente. Mudou o quadro político da América Latina”, alertou João Carlos de Carvalho, secretario de Movimentos Sociais do PCdoB-RJ, presente no ato.
O dirigente comunista contou ao Vermelho que também estava sendo realizada uma manifestação em frente ao consulado dos Estados Unidos, na capital fluminense.

“As entidades dos movimentos sociais se manifestam em frente da Embaixada do Paraguai e ao Consulado para prestar solidariedade ao presidente Lugo, eleito democraticamente e que sofre um golpe branco, institucional, nas casas legislativas do Paraguai. Também sabemos que há pelo menos 50 mil paraguaios em frente do Senado em defesa do presidente”, disse João Carlos.

Entre as entidades presentes, a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) leu uma carta assinada pelo presidente da central, Wagner Gomes, que também condena o golpe contra o presidente Lugo. Outra carta em repúdio ao golpe está sendo preparada pelos movimentos populares brasileiros.

A presidenta da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) , Bartíria Lima da Costa, em nome dos movimentos populares por moradia, demonstrou sua indignação com a tentativa de derrubar um presidente progressista que, após 35 anos de governos de direita, neoliberais, assumiu um projeto de desenvolvimento para aquele país, com inclusão das periferias.

“Ficamos sabendo aqui nesse grande evento [Cúpula dos Povos], que é muito difícil aceitar uma situação dessa em um momento tão especial para O povo paraguaio, que foi às ruas e ajudou a eleger Lugo. Precisamos repudiar essa situação, nós dos movimentos populares sabemos o que é a situação de quem mora na periferia, de que lutam por direitos sociais, por moradia digna, melhores condições de vida, e de repente em meio a situação mais positiva, de conquista, vem um fato dessa magnitude. Portanto, nós da Conam prestamos nossa solidariedade aos companheiros do Paraguai, militantes da reforma urbana nas cidades. Vamos continuar lutando , nas ruas , enquanto não for revertida essa situação”, avisou Bartíria, que também integra a Aliança Internacional dos Habitantes

As mulheres também marcaram presença no ato, como a União Brasileira de Mulheres (UBM) e a Marcha Mundial de Mulheres (MMM), com sua representante internacional da Filipinas, Zenaida Mansiliohan.

“Vim das Filipinas e vivemos lá a ditadura do ditador Marcos, presidente. Vivemos um país de muita repressão onde muitas pessoas não podiam falar, não podiam fazer o que queriam. Vivemos numa ditadura e ainda vivemos uma democracia que não é verdadeira e não somos verdadeiramente livre. Nós queremos que as pessoas sejam livres por isso em nome das camponesas , pescadoras, indígenas mulheres, expressamos nossa profunda solidariedade com vocês e com o povo do Paraguai e sua luta por liberdade”, declarou Zenaida, que também é vice-presidenta do Congresso Nacional de Mulheres Rurais e da Marcha, uma organização filipina.

Do Paraguai, integrantes da Coordenadoria Nacional por Integração e Soberania Energética (Conise) também manifestaram sua indignação.

“Não há outra forma de resistir, se não esta. Somente as classes populares podem falar para as classes populares. A oligarquia mundial e a paraguaia, e o narcotráfico pretende mais uma vez romper um processo que há um significado muito importante, de impor a soberania do povo e a soberania energética. Compatriotas de todo mundo, saiam às ruas, ocupem as embaixadas para protestar. Não queremos mais ditadura. Sofremos demais durante muito tempo. Agradeço em especial ao povo brasileiro porque atendeu ao pedido do Paraguai da soberania energética. Itaipu hoje é 50% brasileira e 50% paraguaia”, disse Mariella Gonzalez, integrante da Conise.

Deborah Moreira, para o Vermelho, no Rio de Janeiro

 

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