Movimentos de mulheres apresentam avanços e desafios sobre as políticas de gênero

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Publicado segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 as 15:01, por: cdb

“Nós, as mulheresda América Latina e Caribe, melhoramos nossa situação, mas seguimos afastadasda participação política, o papel social das mulheres segue sendo o cuidado dafamília como era tradicionalmente”, disse Mabel Bianco, presidenta da Fundaçãopara Estudo e Investigação da Mulher – FEIM, na apresentação feita hoje no Diade Consulta das ONGspreparatório da 56º Sessão daComissão da Condição Jurídica e Social da Mulher, que começaráamanhã na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

A América Latina eCaribe são as regiões no mundo com maior nível de desigualdade, com uma lacunamaior entre ricos e pobres, “as mulheres e as crianças são as mais afetadaspela pobreza e superar isso é o maior desafio para alcançar a igualdade degênero”, disse Bianco.

A presidenta daFEIM se referiu à situação dos direitos das mulheres na América Latina e noCaribe, suas lutas, realizações e desafios atuais. Começou apontando que, umavez conseguido o voto feminino na região, em torno da década de 1940, foinecessário estabelecer ferramentas para acelerar a representação política dasmulheres, como as leis da cota. Entretanto, “em muitos países as mulheres continuamsub-representadas nos poderes Executivo e Judicial e também nos parlamentos”,disse Bianco e explicou que “isso está estreitamente relacionado com os valoresculturais que mantêm as mulheres como responsáveis pela família e pela criaçãodos filhos”.

Bianco analisoutambém a situação dos direitos sexuais e reprodutivos destacando que “asubordinação é um fator chave para a feminização do HIV” e que “a planificaçãofamiliar continua sendo responsabilidade exclusiva das mulheres”. Além disso,denunciou que “mulheres e crianças têm um pobre acesso à educação sexual, assimcomo ao exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos”.

O aborto insegurosegue sendo uma importante causa de morte materna na região, recordou Bianco.”A interrupção voluntária, embora na maioria dos países seja permitida pela leiem muitos casos, as mulheres não têm acesso aos serviços públicos e morrem porcausa disso”, disse.

Uma das principaisviolações dos direitos humanos das mulheres na região é a violência contra asmulheres e os feminicídios. “Embora se tenha aprovado importantes leis paraerradicar, sancionar e erradicar a violência contra as mulheres, muitas vezeselas não se aplicam ou não se cumprem”, alertou Bianco.

A Comissão daCondição Jurídica a Social da Mulher será realizada de 27 de fevereiro a 09 demarço e o tema central será as mulheres rurais e seu papel na erradicaçãoda pobreza.

A notícia e da FEIM