Movimentos de moradia de SP protestam por continuidade de programa de mutirões

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Publicado quarta-feira, 27 de junho de 2012 as 15:56, por: cdb

Movimentos de moradia de SP protestam por continuidade de programa de mutirões

Comunidades exigem liberação dos recursos para a construção de suas casas por meio de projeto de parceria com entidades populares

Por: Vanessa Ramos, da Rede Brasil Atual

Publicado em 27/06/2012, 18:49

Última atualização às 18:49

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São Paulo – Integrantes dos movimentos por moradia popular fizeram protestos na manhã de hoje (27), em frente à Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab-SP), no centro da capital, para cobrar do poder público a liberação imediata dos recursos para a conclusão das obras ligadas ao chamado Programa de Mutirões. O ato reuniu comunidades de diferentes zonas da capital.  Durante o protesto, uma comissão formada por dez representantes do movimento teve um encontro com representantes da prefeitura.

Segundo Sidnei Pita, coordenador estadual da união de movimento de moradias, foram agendadas três novas reuniões entre as partes, todas em julho. No próximo dia 5 será tratada a necessidade de recursos suplementares para a continuidade dos mutirões já em andamento. “Muitas obras estão paralisadas porque os recursos liberados foram insuficientes”, explicou Pita.

A reunião seguinte está marcada para o dia 10, quando serão debatidas as necessidades das famílias que dependem do aluguel social para se manter até a conclusão da construção de suas moradias.

Por fim, no dia 18, os movimentos apresentarão ao poder público novos projetos de moradia popular a serem incluídos no Programa de Mutirões.

O Programa de Mutirões, criado em 1989, é gerido pelo órgão de habitação a partir das demandas identificadas pelas entidades não governamentais do setor e por associações comunitárias. Segundo o arquiteto Caio Santo Amoire, do Fórum de Assessorias Técnicas de São Paulo, nesse programa as famílias se organizam em associações que recebem os recursos públicos da prefeitura para construir autonomamente as suas próprias casas, comprando os materiais e contratando mão de obra.

“As últimas gestões, contudo, abandonaram não só o programa, deixando de liberar recursos, como também todas as formas de participação popular na política habitacional”, afirmou. 

Para a integrante da União dos Movimentos de Moradia, Angélica Roque da Silva, mudam-se os prefeitos, mas o resultado se repete. “Desde José Serra continua o descaso e a falta de comprometimento da prefeitura com as famílias que lutam por moradia”, disse.

De acordo com a moradora Manacéia Barbosa, do Jardim Educandário, zona oeste da capital, o mutirão em sua região iniciou em 2003, quando foram firmados os contratos para a construção de 160 unidades habitacionais. “Em 2007, finalizamos 40 moradias e continuamos construindo os apartamentos, mas não recebemos mais verbas da prefeitura para a conclusão das 120 que ainda faltam”, relatou.

“Estamos aqui para manifestar o nosso repúdio com o descompromisso de Kassab frente às nossas reinvindicações. Queremos pedir o apoio de toda a sociedade para a nossa luta”, disse Maria Aparecida Batista, da Associação dos Trabalhadores Sem Terra da Zona Oeste.