Movimento responsabiliza Estado por mais um crime ocorrido ontem (25) em Bajo Aguán

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Publicado segunda-feira, 26 de novembro de 2012 as 16:06, por: cdb

Neste domingo (25), mais um campesino foi morto em Bajo Aguán, Honduras. Adelmo Leiva, de 41 anos, foi assassinado com vários tiros disparados na frente de sua esposa e da filha, enquanto esperavam um ônibus no terminal de Trujillo, no departamento de Colón. O trabalhador era membro da cooperativa Despertar, integrada ao Movimento Autentico Reivindicador Campesino de Aguán (MARCA).

O assassinato de Adelmo não é um caso isolado. Há meses que a região de Bajo Aguán vem sendo cenário de violência contra campesinos ou defensores dos direitos destes trabalhadores. Apesar de várias denúncias já terem sido feitas a organismos de direitos humanos e órgãos internacionais como a União Europeia, a situação continua.

Cansados desta onda de violência, o Movimento Unificado Campesino de Aguán (MUCA) responsabiliza os três poderes do Estado Hondurenho por não tomar medidas contra os autores intelectuais dos crimes que vêm acontecendo.

“Condenamos a onda de perseguição, repressão e assassinatos contra o movimento campesino de Bajo Aguán, por parte dos aparatos repressivos do Estado”, desabafa Muca. O movimento também exige a abolição imediata do decreto de desarmamento seletivo, aprovado neste ano no Congresso Nacional, já que a medida, segundo eles, serviu apenas para deixar a população do departamento de Colón mais vulnerável.

A Via Campesina de Tegucigalpa também se manifestou sobre o caso e lembrou que já realizou várias conferências de imprensa para denunciar a situação que os campesinos de Aguán vêm enfrentando. “Uma centena de mortes na agricultura é já um holocausto nacional que transborda a autoridade do Estado e sua incapacidade de garantir a vida e de cumprir com ordenanças como o decreto de desarmamento”, opina.

A organização camponesa alerta que viver na região é um “alto risco”. “O terror desatado parece ser uma estratégia bem pensada para causar um êxodo massivo da zona com objetivos nefastos e perigosos. O princípio de autoridade se perdeu e as consequências são caóticas no panorama de perseguição e criminalidade desatada”, analisa.