Movimento antiguerra é liderado por Michael Moore

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 17:24, por: cdb

Ele pode ter sido vaiado e causado constrangimento entre a nata de Hollywood, mas uma semana depois do Oscar, Michael Moore vive um momento de popstar.

O diretor de “Tiros em Columbine” vê um recorde de tráfego em seu web site oficial e acaba de ser convidado para fazer uma aparição no festival de rock inglês Glastonbury. A notícia sobre seu novo filme – que vai investigar a relação da família Bush com Osama Bin Laden – ganhou destaque em todo o mundo e o videoclipe que ele dirigiu para a banda System of a Down está em alta rotação nos Estados Unidos.

O agora famoso discurso batizado de “Que vergonha, senhor Bush!” gerou controvérsia o suficiente também para manter o livro de Moore, Stupid White Man, no primeiro lugar da lista de best-sellers do New York Times. Foi apropriado?, pergunta o diretor em um texto postado no web site oficial. Para mim, o inapropriado teria sido agradecer ao meu agente, advogado e estilista.

Moore também usa o exemplo de uma aeromoça que veio pedir ajuda a respeito de uma injustiça trabalhista como justificativa de que deveria usar sua voz para expressar a opinião de dezenas de milhões de americanos.

Desde que “Tiros em Columbine” foi premiado em Cannes, em maio, o nome de Moore é conhecido entre ativistas e fãs de entretenimento. Desde a semana passada, ele é conhecido, amado e odiado por milhões de pessoas das mais diversas áreas. Tanto que seu web site – que traz uma ótima coleção de ensaios e links – vem tendo 20 milhões de visitantes por dia desde o Oscar. É o site político mais visitado do mundo no momento.

O fato de que Moore vai ser uma das atrações do festival de Glastonbury, entre 27 e 29 de junho, da Inglaterra, é prova também do apelo jovem do diretor de Michigan. Seu videoclipe para a música Boom!, do grupo System of a Down (um dos mais importantes do rock americano atual), que foi gravado durante a marcha anti-guerra de 15 de fevereiro, conquistou a geração MTV. A emissora, por sinal, tem publicado em seu web site histórias freqüentes envolvendo Moore.

Na semana passada ele também viu a repercussão do Oscar com o público universitário ao fazer uma palestra (que estava agendada havia meses) na University of Rochester. Ele foi ovacionado por cerca de mil estudantes e viu protestos na porta da universidade. “Que vergonha, senhor Moore!”, dizia um dos cartazes.

Toda a atenção não podia ser melhor: o cineasta (que prepara o lançamento de “Tiros em Columbine” em DVD para os próximos meses) acaba de fechar acordos para seu próximo documentário, que vai levar o conceito de “Que vergonha, senhor Bush!” muito mais além. “Farenheit 911” promete mostrar o que aconteceu com o país desde 11 de setembro e como o governo Bush usou um evento trágico para impulsionar seus interesses.

O filme vai também tratar da ligação entre Bush e Osama Bin Laden. A surpresa é por conta da associação da empresa de Mel Gibson (um republicano de direita) na produção do projeto. “Tiros em Columbine” teve um faturamento de US$ 40 milhões até agora.