Mortalidade de jovens leva o Brasil para o terceiro lugar em homicídios

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Publicado quinta-feira, 16 de novembro de 2006 as 20:56, por: cdb

O avanço das taxas de homicídios no Brasil nas últimas duas décadas ocorreu devido ao aumento da mortalidade entre os jovens. A conclusão é do Mapa da Violência 2006, divulgado nesta quinta-feira pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Segundo o levantamento, a taxa de homicídios na população de 15 a 24 anos saltou de 30 (a cada 100 mil jovens) para 51,7, entre 1980 e 2004. Nas demais faixas etárias, porém, o índice passou de 21,3 para 20,8 no período.

Entre 84 países, o Brasil ocupa a quarta posição, com uma taxa total de 27 homicídios em 100 mil habitantes (incluindo todas as faixas etárias), só ficando atrás da Colômbia, da Venezuela e da Rússia. Quando se consideram somente os jovens, o Brasil sobe para a terceira posição – à frente estão Colômbia e Venezuela.

Apesar de menos expostos a doenças e epidemias, os jovens são a parcela da população mais sujeita a morte por fatores externos: 60,4% dos óbitos na faixa etária entre 16 e 24 anos (praticamente três em cada cinco mortes) são causados por homicídios, acidentes de carro e suicídios. Nas demais faixas, são atribuídos a essas causas 9,6% das mortes.

Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor da pesquisa, os números são reflexos da desigualdade social no país.

– Basicamente, esse caráter de exclusão faz com que a vida não tenha valor. Nossas pesquisas mostram que 60% das vítimas ão atuam profissionalmente no crime. São jovens que, por motivos banais, matam e morrem com facilidade -, disse.

A taxa de morte por assassinato atinge 3% da população não-jovem, enquanto entre os jovens chega a 39,7%. O estudo da OEI revela ainda que, embora os homicídios prevaleçam na faixa de 20 a 24 anos, a faixa entre 14 e 16 anos tem apresentado maior crescimento nos últimos anos. A maior parte das vítimas é do sexo masculino – 93,7%. E 64,7% são negros, ou quase o dobro do percentual de jobens brancos assassinados no período (34,9%).

Com 102,8 homicídios por 100 mil jovens, o Rio de Janeiro tem a maior taxa entre os estados, seguido de Pernambuco (101,5) e Espírito Santo (95,4). Mas entre as capitais, Recife lidera, com 223,6 assassinatos por 100 mil jovens – em seguida vêm Vitória e Maceió. A maior queda desde 1994 foi registrada em São Paulo, que estava em terceiro lugar e agora aparece em nono.
De acordo com Waiselfisz, somente políticas públicas específicas podem reduzir os índices.
– A maior parte dos jovens não tem acesso a benefícios sociais básicos, como educação, trabalho, saúde. Esse tipo de exclusão provoca contornos de violência. Prova disso é que os estados mais violentos não são os mais pobres, mas aqueles onde há maior concentração de renda e conflitos entre riqueza e pobreza -, explicou.

Já para o secretário Nacional da Juventude, Roberto Cury, a articulação entre a União, estados e municípios pode contribuir na redução desses índices.A pesquisa foi elaborada com base no Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, que centraliza as certidões de óbito emitidas no país. O levantamento também utilizou informações do Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).