Moratória de peixes não atrapalha subistência, diz pesquisador

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Publicado quinta-feira, 5 de janeiro de 2006 as 18:52, por: cdb

Pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, Francisco Machado avaliou que a aplicação de uma moratória de quatro anos para pescadores profissionais do Pantanal causaria “problemas de gravíssimas proporções” socioeconômicas na região. A idéia foi apresentada em setembro de 2005 pelos governadores Zeca do PT, do Mato Grosso do Sul, e Blairo Maggi, do Mato Grosso, como alternativa para conter a diminuição na quantidade de peixes na região.

De acordo com Machado, os pescadores profissionais cadastrados chegam a 5,5 mil, número inferior à média de 70 mil a 80 mil amadores que pescam todo o ano no Mato Grosso.

– Você tem uma parcela significativa das comunidades dos vários locais no estado que subsistem da pesca, então, uma moratória não é uma coisa simples – alerta.

O Sistema de Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul (SCPESCA/MS) aponta para a tendência de redução na quantidade de peixes retirados dos rios da região. Segundo o órgão, a partir de 2000, há registros de diminuição no número de pescadores amadores, bem como a redução na cota de captura permitida para 628 toneladas/ano em 2000; 479 em 2001; e 374 em 2002. No mesmo período, a captura pelos pescadores profissionais permaneceu constante, registrando 306 toneladas/ano em 2000; 333 em 2001; e 312 em 2002.

Os números são menores que os registrados de 1994 a 1999, quando a SCPESCA apontou a retirada de 1.415 toneladas/ano em toda a bacia do Alto Paraguai. Desse total, 1.086 toneladas/ano (o equivalente a 76%) foram capturadas por pescadores amadores e 330 toneladas/ano (24%) por pescadores profissionais. De acordo com um estudo da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária na região, a Embrapa Pantanal, há um indicativo geral “bastante positivo” de que a maioria dos estoques pesqueiros encontra-se em um “nível de exploração adequado” no Pantanal de Mato Grosso do Sul e “possivelmente em todo o Pantanal”.

O documento aponta determinadas espécies como exceções nesse quadro. O pacu, uma das principais da região, estaria sofrendo sobrepesca. A Embrapa Pantanal defende a manutenção da pesca profissional na região, bem como em toda a Bacia do Alto Paraguai.