Moradores do Alemão foram agredidos por militares

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Publicado segunda-feira, 5 de setembro de 2011 as 11:37, por: cdb
Os militares teriam ordenado que moradores locais abaixassem o volume da televisão

O blogueiro Rene Silva, que mantém um jornal virtual no complexo do Alemão, informou que homens da Força de Pacificação utilizaram bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha, em confronto com moradores da comunidade na noite deste domingo. Três homens foram presos.

Os militares teriam ordenado que moradores locais, que se reuniam no Bar do Fluminense, localidade da Alvorada, abaixassem o volume da televisão. Como não foram atendidos, os agentes teriam usado a força.

Os moradores teriam, então, revidado atirando pedras e outros objetos na direção das tropas. Segundo Rene, diversas pessoas teriam ficado feridas, inclusive idosos e crianças, e uma mulher teria perdido todos os dentes após ser agredida. As informações não foram confirmadas pelas autoridades.

Mais tarde, no fim da noite, a  Força de Pacificação divulgou uma nota afirmando que ” no momento a situação encontra-se sob controle. A população está calma e a rotina das operações de pacificação no Complexo do Alemão prossegue normalmente”.

O Ministério Público Federal e a Força de Pacificação do Complexo do Alemão vão apurar uma confusão ocorrida na comunidade Alvorada, nas proximidades da estação de teleférico do Itararé, no Alemão, na zona norte. O incidente terminou com três detidos e pelo menos quatro pessoas feridas por balas de borracha e escoriações.

Segundo os moradores, a confusão na comunidade Alvorada começou depois de uma abordagem a um grupo que fazia um churrasco em um bar, às 18h30. Depois de pedir para que os organizadores baixassem o som, a revista de um deficiente físico revoltou a população, que questionou os militares. Por sua vez, a patrulha deu voz de prisão a duas pessoas, o que agravou a situação.

O chefe do Estado Maior da Força de Pacificação no Complexo do Alemão, Nilson Maciel, disse que quer concluir a averiguação até o final da semana, mesmo sem ter definido qual será a punição para os militares, caso seja comprovado abuso de autoridade da patrulha.

– Vamos esperar acabar essa sindicância não tão formal para ter uma resposta sobre a punição –, declarou.

O MPF vai à comunidade conversar com moradores e com a Força de Pacificação. O órgão quer saber se houve excesso. Em um caso semelhante, investigado por procuradores, em julho, na Vila Cruzeiro, próximo ao Alemão, militares também usaram spray de pimenta e balas de borracha contra pessoas que estavam em um bar. Uma delas pode ficar cega.

– A população não gostou da abordagem aos dois civis e se voltou contra a tropa –, explicou o coronel Maciel.

– Cerca de 200 pessoas se juntaram com pedras, paus e todo material que foram encontrando pela frente, contra a patrulha de dez militares. A tropa, não tinha mais o que fazer, ficou acuada e começou a usar gás lacrimogênio e balas de borracha, progressivamente, para se defender.

A jovem Elaine de Souza, de 17 anos, ferida na boca por uma bala de borracha disse que a prisão de moradores disparou “uma revolta só” .

– Fui tentar salvar o meu marido e, quando vi, tinha sido atingida –, declarou a dona de casa, que foi socorrida pelos vizinhos durante a confusão.

O coronel Nilson Maciel esclareceu que apesar das reclamações, cabe à Força de Pacificação decidir sobre a realização de eventos públicos na comunidade e fiscalizar a Lei do Silêncio – a partir das 2h da madrugada.

– Eles tinham toda a liberdade do mundo e agora colocamos o que é o correto. Então, algumas festas nós tolimos, damos horário e eles não gostam –, justificou.

O tumulto na comunidade, que ainda não tem unidade de polícia pacificadora (UPP) – responsável pelo patrulhamento comunitário –, foi contido com reforço de militares no local. Cerca de 100 homens do corpo de Fuzileiros Navais socorreram o grupo acuado e deixaram o complexo.

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