Montadoras dos EUA investem em imagem ecológica

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Publicado quarta-feira, 12 de janeiro de 2005 as 15:08, por: cdb

Às vezes pode-se acreditar que as grandes montadoras de automóveis são uma filial do Greenpeace ou seguidores da ONG Friends of the Earth (Amigos da Terra).

A Ford se orgulha de exibir o terraço verde de uma de suas fábricas em Detroit. Seus executivos apontam para as colméias na sombra de uma das fábricas, como se seu principal produto fosse mel.

A General Motors convoca as pessoas a “tornarem-se verdes”.

No Salão Internacional do Automóvel dos Estados Unidos, nesta semana, as empresas estão fazendo questão de exibir suas credenciais “verdes”.

Utilitário

A Ford mostrou uma versão híbrida de seu utilitário esportivo Escape, que tem um motor que pode funcionar com gasolina ou eletricidade.

A General Motors apresentou um protótipo de seu utilitário esportivo, chamado GMC Graphyte, e afirma ter outros modelos a caminho. Ela está trabalhando junto com a DaimlerChrysler em uma nova tecnologia de motores para híbridos.

O que mudou é que agora a indústria acredita que existe demanda, ou melhor, que existirá demanda.

Thad Malesh, do Grupo de Pesqusa de Tecnologia Automotiva, afirma esperar que haja até 50 modelos híbridos no mercado americano até 2010.

A empresa de pesquisas JD Power and Associates afirma que as vendas de híbridos vão chegar a mais de 500 mil veículos até 2010, ou cerca de 3% de todo o mercado americano.

Legislação

Os fabricantes de carros americanos têm uma série de motivos para adotar os novos modelos.
Uma nova legislação está a caminho, particularmente na Califórnia, onde o governo deve insistir para que a emissão de gases de escapamentos que causam o efeito-estufa seja cortada em cerca de 30% nos próximos dez anos.

A lei é apoiada pelo governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, o que, acredita-se, deve fazer com que ela seja aprovada.

E também parece haver uma demanda popular por produtos “verdes”. Os americanos parecem estar menos conscientes sobre os problemas ambientais do que os europeus e os japoneses, talvez porque os amplos espaços abertos nos Estados Unidos dêem a impressão de que não há limites.

Mas isso parece estar mudando, pelo menos nos mercados mais ricos, da Califórnia e da costa leste.

As montadoras de Detroit também temem os japoneses.

A Toyota vendeu cerca de 54 mil unidades de seu híbrido Prius nos Estados Unidos no ano passado, o dobro das vendas de 2003.

Ainda é uma gota no oceano, se comparado com os 17 milhões de veículos vendidos no mercado. Mas a procura está sendo maior do que a oferta, sem dúvida ajudada por celebridades como os atores Cameron Diaz e Leonardo DiCaprio, que são membros do clube Prius.

As montadoras de automóveis de Detroit mudaram, não há dúvidas. Não faz muito tempo elas não queriam admitir que existia algo como aquecimento global. Muito menos dizer que queimar gasolina é uma das causas desse aquecimento.

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Agora, elas aceitam o fato. A Ford recentemente publicou um anúncio em jornais alertando para a existência do aquecimento global.

Mas as montadoras são conduzidas pelo mercado, e o mercado ainda gosta de motores a gasolina grandes e poderosos.

– Nesse momento, a demanda por mais e mais potência nos carros é muito maior do que a demanda por mais e mais híbridos – disse o vice-presidente da General Motors, Bob Lutz.
Para enfatizar esse fato, a GM lançou seu carro mais rápido de todos os tempos, o novo Corvette Z06, além do Cadillac STS-V, movido por um super motor V-8 que fornece maior quantidade de cavalos-de-força do que qualquer outro Cadillac.

O truque vai ser conseguir potência com economia de combustível. Os fabricantes ainda não se transformaram em herbívoros, mas já perceberam que a economia de combustível pode vender carros e fazer com que ganhem dinheiro, no fim das contas.