Monitores do Golfo deixam Síria; Liga Árabe busca apoio da ONU

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Publicado quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 as 11:01, por: cdb

Monitores do Golfo deixam Síria; Liga Árabe busca apoio da ONU

Por Mariam Karouny

DAMASCO, 25 Jan (Reuters) – Monitores do Golfo Pérsico se retiraram da Síria nesta quarta-feira depois que seus governos disseram estar “certos de que derramamento de sangue e a matança de inocentes continuará”, e a Liga Árabe buscou apoio da ONU para um plano que coloque fim ao governo do presidente Bashar al-Assad.

Mas seus colegas em Damasco prometeram levar adiante uma missão de observação, agora prorrogada até 23 de fevereiro, para verificar se a Síria cumpre com um plano de paz árabe anterior.

“A saída dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC na sigla em inglês) não terá impacto no trabalho da missão. Somos todos profissionais aqui e podemos fazer o serviço”, disse um veterano monitor árabe que pediu anonimato.

“Éramos cerca de 170 e agora, com a saída deles, somos cerca de 120”, afirmou ele. “Precisamos de mais monitores, é claro, e mais virão em breve para substituir os que se foram”.

Monitores do Kuweit, dos Emirados Árabes Unidos e do Barein deixaram a capital síria, e os pertencentes a outros Estados do Golfo devem deixar Damasco em breve.

Nabil Elaraby, chefe da Liga Árabe, e Hamad bin Jassim al-Thani, primeiro-ministro do Catar, que encabeçam o comitê da Liga na Síria, escreveram ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descrevendo o plano para uma solução política na Síria.

A carta pede um “encontro conjunto entre eles na sede da ONU para informar o Conselho de Segurança sobre os desdobramentos e obter o apoio do Conselho para o plano”, diz um comunicado da Liga.

Vários diplomatas nas Nações Unidas disseram que a França e a Grã-Bretanha estão trabalhando com o Catar e outras delegações árabes no rascunho de uma nova resolução em apoio ao plano da Liga Árabe.

O apelo da Liga Árabe para que Assad renuncie aumentará a pressão para que a Rússia explique por que ainda está bloqueando uma ação da ONU para deter o banho de sangue na Síria, onde Moscou pediu diálogo.

Grupos de oposição sírios vêm acusando a missão de observadores, que teve início em 26 de dezembro, de dar cobertura diplomática para Assad levar a cabo uma repressão sobre os manifestantes e rebeldes na qual mais de 5 mil pessoas já foram mortas desde março, segundo um levantamento das Nações Unidas.

Os Comitês de Coordenação Local, de oposição, relatou 68 mortes de civis e desertores do Exército na terça-feira. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado na Grã-Bretanha, coloca o saldo em 35, e informou que mais três soldados sírios morreram nesta quarta.

O governo diz estar combatendo “terroristas” islâmicos com apoio no exterior que mataram 2 mil soldados e policiais.

(Reportagem adicional de Lou Charbonneau nas Nações Unidas, Edmund Blair e Ayman Samir no Cairo e Dominic Evans)

Reuters