Mobilização nacional do MST por uma verdadeira Reforma Agrária

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Publicado quarta-feira, 12 de setembro de 2001 as 11:10, por: cdb

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra organizou entre os dias 3 e 7 de setembro uma Jornada Nacional de Luta contra a política agrária do governo FHC. Mais de quinze mil pessoas foram mobilizadas em 23 estados. Foram montados acampamentos próximos às superintendências do INCRA nas capitais. Também foram realizadas caminhadas, atos públicos e simbólicos. No acampamento Nacional Eldorado do Carajás, montado em Brasília, 1.500 sem terra estão alojados e lá permanecerão até 12 de outubro.
Nos últimos anos, o governo federal abandonou a implantação de uma verdadeira reforma agrária. Orientado pelo FMI, cortou o orçamento do INCRA que, em 1997, chegou a ser de 2,8 bilhões de reais para apenas 1,3 bilhão em 2001. E nesses nove meses, o INCRA usou menos de 20% dos recursos disponíveis.
O governo faz apenas propaganda! Divulga dados mentirosos de metas não cumpridas. Sucateou e esvaziou o INCRA. Adotou, ao longo dos últimos dois anos, diversas medidas para combater os movimentos sociais e inviabilizar uma verdadeira distribuição de terras. Assim, editou medida provisória proibindo assentamento da família sem terra que ocupar e proibiu a desapropriação de área ocupada. Sob orientação do Banco Mundial, criou o banco da terra, que é uma espécie de reforma agrária de mercado, em que o governo compra terra à vista apenas daqueles fazendeiros que quiserem vender. O coitado do sem terra que aceitar, fica devendo no banco.
Alem disso, acabou com diversos programas que contribuíam com a reforma agrária como o Procera (crédito especial para reforma agrária), o Lumiar (programa de assistência técnica nos assentamentos) e o Pronera (programa de alfabetização de adultos). E instituiu um verdadeiro serviço de informação do Ministro, através do Programa dos “Empreendedores” Sociais, que se dedicam apenas a colher informações nos assentamentos.
O Ministro do Desenvolvimento Agrário divulga e faz propaganda de números de famílias assentadas que não são verdadeiros. O modelo de agricultura adotado pelo governo neste período aumentou a pobreza e a desigualdade social no campo e inviabilizou a agricultura familiar, levando 920 mil pequenos agricultores a perder suas terras.
Diante de uma situação de completa paralisação da reforma agrária, o MST está realizando uma jornada nacional de protesto para chamar atenção para o descalabro, desinteresse e manipulação do governo.
A nossa luta é em defesa de um modelo de agricultura voltada para o abastecimento interno e que privilegie o pequeno agricultor, que gere empregos, combata o êxodo rural e promova o verdadeiro desenvolvimento do povo e do Brasil.

João Pedro Stedile é membro da direção nacional do MST
E-mail: semterra@mst.org.br