Miss Kittin vai levar público paulista à loucura nesta terça-feira

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Publicado segunda-feira, 6 de janeiro de 2003 as 14:07, por: cdb

A francesa Caroline Herve, a Miss Kittin, só não é maior do que aqueles que dizem respeito ao Brasil. Após duas concorridas apresentações no Rio de Janeiro, a francesa toca nesta terça-feira para os paulistas no Lov.e Club & Lounge. Nome mais conhecido da histeria do novo estilo electro, Herve criou uma personagem para si com hits como “Madame Hollywood”. Esta última, faixa de Felix da Housecat em que ela participa dos vocais, tornou-se uma espécie de nome de guerra para Herve, com um universo que celebra a fama, o glamour junkie, uma certa arrogância e muito sexo. Facetas que vão caindo aos poucos. Despretensão e simplicidade têm sido suas marcas no Brasil.

Quem for à apresentação no Lov.e tem grandes chances de ouvir hits do “First Album”, disco que reúne faixas compostas com o parceiro The Hacker _que não veio ao Brasil_ entre 1997 e 2001.

“Ainda não sei como será meu set em São Paulo, mas vou tocar coisas que fiz com The Hacker. Não gosto de repetir essas músicas, mas estou aqui no Brasil para isso. Será um sacrifício”, diz a DJ em entrevista à Folha de S.Paulo, antes de sua segunda apresentação no Rio.

Para os fãs, uma discotecagem de Miss Kittin sem “Frank Sinatra” é como um show do Rolling Stones sem “Satisfaction”.

“Acho um pouco egocêntrico tocar apenas coisas minhas. Prefiro tocar músicas de artistas amigos meus, gosto de promovê-los mundo afora.”

Na tentativa de descrever sua discotecagem, ela anuncia um set repleto de altos e baixos, com momentos hard tecno, outros mais calmos e electro. “Meu set é uma surpresa para mim mesma, é tudo muito subjetivo”, resume.

Na primeira apresentação no Rio, na Fundição Progresso, a cantora teve a performance um pouco prejudicada pela falta de um mixer especial que seria acoplado a seu microfone.

“Nessa festa os equipamentos não estavam do jeito que eu queria, por isso cantei apenas um pouquinho durante as músicas. Não consegui controlar o volume e o eco da minha voz”, explica.

Grande parte do carisma de Herve surge de seu inglês carregadíssimo de um sotaque francês. Tem, pelo menos, outra marca registrada, a irônica e cruel risada em “Frank Sinatra”.

“Sempre cantava na minha cabeça quando ouvia uma música. Um dia pensei: ‘Por que não canto exatamente o que penso durante minhas discotecagens?’. Foi a partir daí que comecei a usar microfones nos meus sets. Mas só canto quando tenho todos os equipamentos necessários”, diz.

Em São Paulo, ela espera resolver, além dessas questões técnicas, seu problema com grandes multidões. Se muita gente reclamou que o Lov.e seria pequeno, com sua capacidade para 500 pessoas, para Herve, trata-se de gente demais. “Prefiro tocar em lugares menores e intimistas: é muito mais família e consigo sentir melhor o público. Lugares grandes parecem estações de trem.”

Vida de festas
Se há algum clichê sobre Miss Kittin que se confirma, é o culto à diversão. “Discoteco para mim mesma, em primeiro lugar. Se estou feliz tocando o que quero, então pode ser que eu faça as pessoas se divertirem também. Tento me surpreender tocando coisas que não costumo tocar.”

Num modo de vida “carpe diem”, ela está animadíssima com a possibilidade de tocar em Manaus, apontada por produtores brasileiros. “A Amazônia é muito misteriosa para mim. Sou uma garota da cidade, se você me colocar no meio da selva, provavelmente irei chorar. Quero aproveitar o máximo de minha vida, nunca sabemos sobre o amanhã”, afirma. Para setembro, ela anuncia um disco novo.

Quem quiser chegar no horário exato de sua apresentação terá que arriscar: o Lov.e não divulgou a hora precisa da apresentação. A casa, que abre à 0h, terá discotecagens das DJs Flávia Carrara, Ana Flávia, Paula e Eliana Iwasa.

Serviço

Quando: Terça-feira, 0h30m
Onde: Lov.e Club & Lounge – Rua Pequetita, 189, Vila Olímpia, São Paulo, tel. 0/xx/11/3044-1613
Quanto: R$ 50
Atenção: A entrada somente será admitida mediante a apresentação de i