Miséria no país é a menor desde 1992

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Publicado domingo, 27 de novembro de 2005 as 15:59, por: cdb

A pesquisa Miséria em Queda – Mensuração, Monitoramento e Metas, que o Centro de Políticas Socias do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre) lança nesta segunda-feira, constata que a taxa de miséria no país atingiu o seu nível mais baixo desde o lançamento da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) em 1992.

Divulgada na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pnad demonstra, a partir de avaliação do Centro de Políticas Sociais, que a renda domiciliar per capita de todas as fontes (trabalho, aluguéis, programas sociais e outros componentes que integram o rendimento de uma família) teve aumento real (já descontado o crescimento populacional) de 2,8% em 2004.

Primeira instituição a revelar o aumento da pobreza ocorrido em 2003, a Fundação Getúlio Vargas, com base na Pnad 2004, reafirma os avanços dos indicadores sociais relativos ao ano passado.

– Houve uma queda espetacular no índice de pobreza em 2004, movida pelo aumento da ocupação, redução da desigualdade de renda do trabalho e pelo aumento de transferências focalizadas do Estado – afirma o economista Marcelo Néri, coordenador do Centro de Políticas Sociais.

Este é o primeiro estudo sobre a pobreza brasileira que utiliza os dados da pesquisa divulgada pelo IBGE. Na avaliação de Néri, o ponto central da pesquisa da FGV é a geração de indicadores sociais baseados na renda familiar per capita, que norteia toda a literatura de bem-estar social e de pobreza, em particular.

– Esses indicadores permitem sintetizar uma série de fatores que acontecem no mercado de trabalho e nos programas sociais e que são objeto de acalorado debate nacional e de acordos internacionais.

O economista da FGV, que ainda analisa os dados da Pnad para fechar a pesquisa, informa também que o estudo apresenta ferramentas como o panorama – que permite olhar a distribuição da pobreza das pessoas de acordo com diversas características como sexo, idade, educação, raça, trabalho e local de moradia, ou o espelho – onde cada pessoa insere uma combinação de dados supracitados e simula a probabilidade de um indivíduo específico estar abaixo da linha de miséria.

Após o lançamento da pesquisa, adianta Néri, o Centro de Políticas Sociais da FGV estará disponibilizando um banco de dados em sua página na internet, no endereço www.fgv.br/ibre/cps.

Participação política

O jovem metropolitano brasileiro admitiria participar mais da vida pública do país e de ações coletivas, desde que essas ações resultassem em melhorias para a sociedade e que houvesse canais adequados de participação. Esta é uma das principais conclusões da pesquisa Juventude Brasileira e Democracia – participação, esferas e políticas públicas.

O levantamento foi feito pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais (Pólis), uma organização não-governamental (ONG), junto a 8 mil jovens de 15 a 24 anos em sete das principais regiões metropolitanas do país, além de Brasília, entre outubro de 2004 e maio de 2005.

Segundo informações do Ibase – que coordenou o estudo em nível nacional – o relatório final recomenda a adoção de políticas públicas voltadas para os jovens e será encaminhado às autoridades municipais, estaduais e federais. A pesquisa constata ainda que o jovem urbano no Brasil tem entre suas principais reivindicações uma escola de melhor qualidade, melhor qualificação profissional e mais espaços de cultura e lazer próximos ao local de moradia.

O relatório final será entregue a representantes da Secretaria Nacional da Juventude e da Comissão Especial de Políticas Públicas para a Juventude, da Câmara Federal, entre outros. A pesquisa foi realizada com base em metodologia inédita no país fornecida pelo instituto Canadian Policy