Ministros podem brigar o quanto quiser, diz o presidente

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Publicado quarta-feira, 7 de dezembro de 2005 as 13:16, por: cdb

Ainda na entrevista coletiva concedida a quatro emissoras de rádio, nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo não está dividido em relação à política econômica porque há um debate em curso.

– ão está dividido porque não tem duas políticas econômicas, não está dividido porque não tem dois comandos, não está dividido porque nós aceitamos a democracia como um fator importante para o debate – disse o presidente.

Ao ser questionado sobre divergências entre ministros da área econômica, o presidente afirmou que “nenhum ministro pode pensar uma coisa e sair falando antes daquilo se transformar em política de governo”.

– Eu chamei a atenção do ministro Paulo Bernardo (do Planejamento, Orçamento e Gestão), quando ele falou de uma política de ajuste fiscal de longo prazo antes de se transformar em política de governo – frisou.

O presidente acrescentou que internamente todos os ministros têm o direito de dizer o que bem entender.

– Quando eu estava no sindicato em São Bernardo, eu muitas vezes trancava a sala e falava, vocês querem brigar, briguem aqui dentro. A hora que abrir a porta têm que ter um único pensamento, uma única voz – disse Lula, ao acrescentar que “vocês (a imprensa) estão divulgando coisas que nós mesmos falamos e falamos equivocadamente”.

Lula voltou a defender a atual política econômica, que, segundo ele, até agora tem dado resultados favoráveis:

– Você não pensa que o Palocci quer juros mais baixos? É lógico que quer. Você não pensa que o Meirelles quer juros mais baixos? É lógico que quer. Você não pensa que eu quero? Eu quero. Agora, veja, pode-se fazer uma loucura, um rompante e falar ‘não, vou passar os juros para tanto’ e no mês seguinte aumenta a inflação e aí nós vamos dizer ‘por que aumentou a inflação?.

Ele também defendeu a manutenção da meta de superávit primário (a economia que o país faz para o pagamento dos juros da dívida) em 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O presidente afirmou ainda que as mudanças na política econômica não serão decididas em função das eleições de 2006.

– A eleição não me fará tomar nenhuma medida que possa passar para os olhos de milhões e milhões de brasileiros que estão nos ouvindo de que nós vamos fazer uma aventura por conta da eleição – concluiu.