Ministro visita aldeia onde assassinaram índio guarani-kaiowá

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Publicado terça-feira, 27 de dezembro de 2005 as 14:22, por: cdb

O clima é tenso no município de Antonio João, no Mato Grosso do Sul, onde no último dia 24, véspera de Natal, o índio Dorvalino Rocha foi assassinado. A descrição da situação foi feita pelo Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. Ele chegou ao local na manhã desta terça-feira e disse que considera natural a reação da população indígena.

– A comunidade indígena, pelo que sabemos e por justa razão, está indignada com os episódios. Houve um despejo no dia 15 de dezembro e eles foram removidos para um acampamento onde a situação é precária. Nove dia depois, na véspera de natal, o Dorvalino é assassinado e é natural que nós encontremos essa situação de indignação – relatou o ministro.

Na manhã de hoje, uma missão composta pelo ministro da SEDH, pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, e dois delegados da Polícia Federal saiu de Brasília em direção ao acampamento indígena Guarani-Kaiowá, na margem da rodovia que liga os municípios de Antônio João e Bela Vista (MS).

O ministro afirmou ainda, que nas últimas 48 horas não houve agravemento da conflito entre índios e fazendeiros e que com a chegada da missão abre-se um canal para o diálogo.

– A decisão de fazer uma visita rápida, in loco, serve para trazer a preocupação e pressa do presidente da República com a questão, verificar a situação e levar uma primeira mensagem de apaziguamento para que não se repita nenhum novo ato de violência – disse Vannuchi.

No último dia 15, após decisão judicial que suspendeu a demarcação das terras Nhande Ru Marangatu, os índios Guarani-Kaiowá foram despejados pela Polícia Federal no Mato Grosso do Sul. Cerca de 730 índios,  incluindo aproximadamente 300 crianças, ficaram à beira da estrada. A desocupação ocorreu de forma pacífica. Mas, enquanto os índios retiravam os seus pertences do local, fazendeiros atearam fogo nas casas. Com base na denúncia feita pela Agência Brasil, o Ministério Público abriu inquérito para averiguar a possível omissão da polícia.