Ministro diz que Força Aérea Brasileira está em estado crítico

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 23:54, por: cdb

É crítica a situação da Força Aérea Brasileira. Neste momento, a FAB está com 460 dos 680 aviões da frota no chão – cerca de 70% da frota – por falta de recursos tanto para a compra de combustível, quanto para aquisição de peças de reposição.

O quadro poderá ficar ainda mais grave, a partir de meados de abril, caso não sejam repassados para a Aeronáutica os R$ 140 milhões que a força está pedindo, que seriam destinados apenas à aquisição emergencial de combustível.

Dos 460 aviões que estão parados, cerca de 100 deles são por falta de dinheiro para comprar combustível. A preocupação da FAB, que já estava sendo discutida há alguns dias no Palácio do Planalto, foi levada nesta terça-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ministro da Defesa, José Viegas.

Na conversa, na qual estava presente também o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, o presidente Lula mostrou-se “muito sensibilizado” com o problema da força, manifestou desejo de resolvê-lo e recomendou que Viegas procurasse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em busca de uma solução para o caso.

Embora evitando falar de valores e de números, o ministro da Defesa afirmou ao Estado que os recursos pleiteados pela FAB, serão suficientes apenas para que sejam atendidas “as mínimas necessidades”. Com R$ 140 milhões, a FAB asseguraria verba para voar até o final do ano.

“Na década de 80, a FAB voava mais de 200 mil horas por ano. O ideal é que voe 180 mil horas/ano”, comentou o ministro Viegas. “Esse volume de recursos que está sendo pedido (R$ 140 milhões) permite que a força voe apenas 130 mil horas/ano, que é abaixo do mínimo”, observou, reconhecendo, no entanto, que as dificuldades estão sendo enfrentadas pelo governo como um todo. Mas ressalta: “a situação é crítica”.

Ao alertar o Palácio do Planalto para as dificuldades, a Aeronáutica lembrou que, além de manter parados os aviões de combate, o próximo passo será suspender as ações de apoio que a Força presta a todos os demais ministérios. As unidades da Amazônia, principalmente as mais longínquas, poderão ficar sem suprimento, assim como os sítios do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).

Da mesma forma, o apoio à defesa civil também poderá ser suspenso se o dinheiro não estiver liberado até as primeiras semanas do mês de abril. Neste caso, seriam prejudicadas as ajudas para combate aos incêndios de Roraima e às enchentes no Amapá, à Polícia Federal, aos Estados, à estação brasileira da Marinha na Antártida e às tropas no Timor Leste.

Além da falta de combustível na FAB, o ministro da Defesa tratou de pelo menos um outro assunto com o presidente Lula ontem, em audiência no Planalto: a promoção dos oficiais-generais, a primeira a ser assinada em seu governo.

Acompanhado dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o ministro da Defesa apresentou a lista com os nomes dos 71 oficiais a serem promovidos no dia 31 de março. Lula, a exemplo do que sempre aconteceu com os demais presidentes civis, endossou a lista com os nomes dos militares a serem promovidos, aprovada nas reuniões de Alto Comando das respectivas forças.

O presidente Lula já marcou até mesmo a data e horário para a cerimônia de apresentação dos promovidos: 10 de abril, às 17 horas, mantendo o ritual tradicionalmente realizado. O maior número de promovidos será no Exército, onde um quarto do Alto Comando será renovado.

Serão 33 vagas na Força Terrestre, sendo quatro de general de Exército, nove de general-de-divisão e 20 de general-de-brigada. No caso da Aeronáutica, serão 26 os promovidos, sendo dois quatro estrelas, sete três estrelas e 17 duas estrelas. Na Marinha, serão 12 os promovidos, sendo dois novos almirantes-de-esquadra, três vice-almirantes e sete contra-almirantes.