Ministro das Comunicações prevê rádio digital em cinco anos

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Publicado terça-feira, 15 de outubro de 2002 as 23:43, por: cdb

A entrada da TV digital no Brasil ainda depende da definição sobre qual das tecnologias disponíveis no mundo eletrônico internacional deverá ser adotada e esta é uma questão que não deverá ser concluída a curto prazo. Foi o que ficou claro nas entrevistas concedidas hoje pelo ministro das Comunicações, Juarez Quadros, e pelo presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Luiz Guilherme Schymura, logo após a solenidade de abertura do Congresso e Feira das empresas vinculadas à Associação Brasileira de Televisão Por Assinatura ABTA-2002, realizado no Hotel Transamérica, zona sul desta capital.

Ambos defendem que há muito o que se ponderar em torno do tema para não trazer impactos negativos à atividade produtiva da indústria e, além disto, o custo do produto está acima da média do poder aquisitivo da população. Mesmo nos demais países, a implantação está abaixo do que se esperava, observa ele. Para Juarez Quadros, é mais fácil o acesso ao rádio digital do que TV digital e a sua expectativa é de que vá demorar ainda mais uns cinco anos para que o sistema esteja incorporado ao mercado.

Em discurso, no evento, Quadros ressaltou a importância do papel da iniciativa privada do setor de telecomunicações na superação dos desafios tecnológicos, permitindo que milhões de brasileiros passassem a ter acesso ao serviço telefônico fixo comutado e serviço móvel celular. “Em menos de cinco anos, o setor fez o que muitos achavam impossível – modenizar o setor, em todos os níveis”, salientou. Por outro lado, desde a sua instalação no país, no início da década 90, os serviços de TV por Assinatura têm crescido, mas “sem atingir, entretanto, os níveis de desenvolvimento inicialmente planejados, tendo mesmo praticamente estacionado, nos últimos três anos”. Apontando dados da Anatel, afirmou que, no último mês de agosto, havia no Brasil 434 operadoras de TV Por Assinatura, das quais 266 em operação e 168 em fase de instalação, abrangendo todas as tecnologias empregadas. Observou ainda que a base de assinantes teve alta de 3,3%, em 2001 sobre o ano anterior, no primeiro trimestre deste ano, apontava variação de apenas 0,85%, com um total de 3,58 milhões de assinantes. O faturamento bruto do setor alcançou, no ano passado, R$ 2,5 bilhões, o que significa um aumento de 19,4% sobre 2000.

Em sua avaliação, o crescimento tem sido insatisfatório e isto se explica entre outros fatores se deve ao fato de que a TV aberta é de alta qualidade e apresenta expressiva diversidade de programação, tendo a vantagem de ser livre e gratuita.