Ministro da Economia Argentina pede elaboração de ‘Código de Transparência’

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Publicado segunda-feira, 27 de outubro de 2003 as 01:37, por: cdb

O ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, pediu, no último domingo, no México, a elaboração de um ‘Código de Transparência’ para evitar novas crises, como a que explodiu em seu país no final de 2001.   

Lavagna explicou à imprensa que fez esta proposta aos seus colegas do Grupo dos 20 (G-20), que inclui economias industrializadas e emergentes.

Segundo o ministro argentino, o ‘Código de Transparência’ deve ser um passo prévio à aprovação de um ‘Código de Conduta’ para as reestruturações ordenadas da dívida, uma iniciativa promovida pelos países desenvolvidos.

– Na reunião, ‘falamos do ‘Código de Conduta’. Há propostas distintas incluídas, como uma feita pela Argentina no sentido de que o mais importante antes de chegar a um ‘Código de Conduta’ é um ‘Código de Transparência’ – disse Lavagna.

– Há informação muito fragmentada e difusa nos mercados emergentes e, aí, é quando se produz uma crise que cria toda uma classe de problemas. Por isso, o ‘Código de Conduta’ deve ser analisado e aprofundado, mas o passo número um deve ser o ‘Código de Transparência’ – defendeu.

O ministro comentou que, durante o primeiro dia da reunião de Morelia, não se abordou o plano de reestruturação da dívida pública nas mãos de credores privados anunciado pela Argentina no último mês. Em relação a este plano, enfatizou que ‘estamos cumprindo estritamente o que dissemos’.

– Dissemos que íamos fazer o anúncio depois do acordo a médio prazo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o fizemos, e dissemos que íamos fazer grupos consultivos que se formaram em sete cidades do mundo na última semana – acrescentou.

– Dissemos que íamos convidar e selecionar os bancos de acordo com o ranking de bancos internacionais que participam da colocação de bônus. Foram convidados 12 bancos, dos quais provavelmente serão escolhidos sete – revelou.

A proposta de reestruturação da dívida argentina, muito criticada pelos credores, contempla uma redução de 75 por cento no valor nominal dos bônus em moratória, que são de 153 classes diferentes e somam 94,302 bilhões de dólares.

Durante sua conversa com a imprensa, o ministro argentino se negou a comentar o conteúdo da reunião bilateral tida  com o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow.

Lavagna apontou que, entre os países do G-20, existe confiança em uma reativação da economia mundial nos próximos anos e ressaltou que o principal risco latente para esta decolagem é ‘a volatilidade nas cotações das moedas’.

O G-20 celebra em Morelia (centro do México), a reunião anual de seus ministros das Finanças e governadores de Bancos Centrais.

O grupo é formado pelos Estados Unidos, União Européia (UE), Argentina, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul, Turquia, Reino Unido e Austrália.