Ministro da Comunicação da Venezuela renuncia

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Publicado terça-feira, 6 de abril de 2004 as 04:53, por: cdb

O ministro venezuelano de Comunicação e Informação, Jesse Chacón, apresentou na última segunda-feira sua renúncia. Ele se declarou responsável por uma informação errônea de que o presidente Hugo Chávez difundiu no domingo em seu programa dominical de rádio e televisão.

Chávez disse que os oito soldados que ficaram feridos na última terça-feira em um incêndio no Forte Mara, nos arredores de Maracaibo, 700 quilômetros ao oeste de Caracas, estavam fora de perigo, mas um deles morreu poucas horas depois.

O erro de Chávez foi insistentemente difundido pelas emissoras privadas de televisão que o apresentaram como um exemplo da forma com que o governo trata a informação.

Chacón disse que a responsabilidade de o presidente falar com base em uma informação equivocada é de seu ministério e anunciou que colocava o cargo a sua disposição em caráter irrevogável.

Ele esclareceu, no entanto, que será Chávez que irá decidir sobre o caso e reiterou seu compromisso com o processo de mudanças que está sendo feito pelo governo.

Chacón pediu perdão às famílias dos soldados e ao público que pode ter se sentido enganado pela informação difundida pelo presidente.

O caso começou com o incêndio de origem ainda não esclarecida, mas que Chávez classificou de ‘acidente’, registrado em uma cela de castigo na qual dormiam os oito soldados, os quais tiveram queimaduras de diversa gravidade.

Orlando Bustamante, de 20 anos, morreu poucas horas depois de Chávez anunciar que o incêndio não teve maiores conseqüências e que os soldados só tinham ferimentos leves.

Depois de saber do fato, o meios de comunicação privados sugeriram que os soldados foram detidos e depois queimados por pedir a convocação de um referendo contra Chávez.

Vários dos soldados feridos negaram essa versão e afirmaram publicamente que nunca pediram o referendo contra Chávez, embora não tenham sido capazes de esclarecer as causas do incêndio porque, segundo asseguraram, estavam dormindo.

O incidente no Forte Mara coincidiu com a sentença judicial de uma corte civil venezuelana que na semana passada condenou um oficial a 21 anos de prisão por queimar vivo há três anos um soldado depois de molhá-lo com um produto inflamável.