Militares rebeldes não têm apoio nas Forças Armadas da Venezuela

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 23 de outubro de 2002 as 13:35, por: cdb

Um grupo de 14 militares dissidentes, incluindo nove que participaram de um fracassado golpe de Estado na Venezuela, em abril passado, prometeram na madrugada desta quarta-feira continuar seu novo movimento de protesto contra o presidente Hugo Chávez, que foi iniciado na véspera, embora não tivessem recebido apoio nos quartéis.

Absolvidos na Justiça pela tentativa de golpe, os militares rebeldes, que continuam na ativa mas não podem exercer funções de comando, divulgaram uma declaração na terça-feira exigindo “a imediata renúncia do presidente da República”.

Depois de anunciar sua rebeldia pela rede de televisão privada do país, os oficiais juntaram-se a uma multidão de simpatizantes em uma praça do rico leste de Caracas e prometeram ficar ali até conquistar um respaldo majoritário para sua “desobediência legítima” a Chávez.

“Nós começamos essa luta e chegaremos até o final de nossa força”, disse o general do Exército Enrique Medina, um duro crítico de Chávez, a quem acusa de impor uma “tirania”.

A multidão de manifestantes, que chegou a milhares de pessoas na noite de terça-feira, havia diminuído visivelmente depois da meia-noite.

O discurso dos rebeldes, no entanto, não obteve eco nos quartéis. Na madrugada desta quarta-feira, eles continuavam esperando a chegada de outros militares enquanto acusavam o governo de ter retido as tropas para impedi-las de ir à praça.

Na véspera, o ministro da Defesa, general José Luis Prieto, disse em pronunciamento transmitido em cadeia de rádio e televisão que “as Forças Armadas Nacionais (FAN) declararam seu apego irreversível ao acatamento da Constituição da República Bolivariana da Venezuela e à manutenção da ordem constitucional”.

Os militares rebeldes acusam o presidente de querer colocar em prática um governo comunista no estilo cubano e de utilizar as FAN como o braço armado de sua “revolução”.

Apesar de os dissidentes afirmarem que se opõem à violência e a um golpe de Estado, o chamamento à desobediência despertou temores de uma repetição dos eventos de 11 a 14 de abril. Naquela época, Chávez foi deposto por um grupo de militares e reinstalado no poder 48 horas depois, em meio à pressão popular.