Militares franceses também invadiram o Afeganistão

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Publicado segunda-feira, 8 de outubro de 2001 as 13:25, por: cdb

Alain Richard, o ministro francês da Defesa, não precisou qual é o papel das forças militares francesas em território afegão neste momento. Ele disse apenas que são unidades especializadas e “agentes de reconhecimento”. Perguntado se o objetivo destes soldados é descobrir o esconderijo do refugiado saudita Osama bin Laden, Richard respondeu: “Vocês podem imaginar, sim.”
A respeito dos ataques ocorridos durante o domingo, Richard afirmou que são “essenciais sob o nosso ponto de vista”. Como afirmou o ministro, os bombardeios foram basicamente realizados por mísseis teleguiados e bombas lançadas sobre seus objetivos.

Bin Laden vive e afegãos tentam fugir do país

Milhares de pessoas estão fugindo da capital do Afeganistão, Cabul, em meio a temores de que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estejam preparando novos ataques militares ao país.

Também houve relatos de troca de artilharia pesada na madrugada desta segunda-feira ao norte de Cabul, onde a oposicionista Aliança do Norte estaria concentrando suas forças para uma ofensiva contra o Talebã.

A agência de alimentação da ONU decidiu suspender a entrega de comida no Afeganistão em conseqüência dos ataques ao país no domingo.

Sem previsão

A porta-voz da agência de alimentação da ONU, Christiane Berthiaume, disse que as operações foram interrompidas por tempo indeterminado.

Milhões de afegãos dependem de ajuda internacional para se alimentar.

A ONU tomou a decisão depois de militares norte-americanos deixarem comida em áreas do Afeganistão controladas pelo Talebã.

Segundo o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, 37.500 pacotes de alimentos foram entregues por meio de pára-quedas.

Talebã

O gabinete do Talebã convocou uma reunião de emergência na segunda-feira para discutir a crise.

Segundo a milícia, três pessoas morreram em conseqüência dos ataques em Kandahar, um de seus redutos no sul do país.

A ofensiva militar, liderada pelos EUA, foi lançada quase um mês depois dos atentados suicidas a Washington e Nova York que mataram mais de 6 mil pessoas no dia 11 de setembro.

O dissidente saudita Osama bin Laden, que é apontado pelos EUA como o principal suspeito dos ataques do mês passado, está no Afeganistão sob proteção do Talebã desde 1996.

A ofensiva militar, que também envolve forças britânicas, estaria voltada para as bases do Talebã e da organização de Bin Laden, al-Qaeda.

Moralmente elevado

Na primeira reação aos ataques de domingo, a rádio oficial do Talebã, Voz da Sharia, anunciou que o país não sofrera nenhuma baixa nem dano material e que o Talebã se sentia moralmente elevado pelos ataques.

Mais tarde, o embaixador do Talebã no Paquistão disse que os ataques atingiram casas nos arredores do aeroporto de Cabul. Segundo ele, mulheres e crianças teriam morrido.

Ao responder à pergunta se o líder espiritual do Talebã, mulá Mohammad Omar, e Bin Laden estariam vivos, o representante do Talebã disse que sim e acrescentou: “Graças a Deus”.

Mesquitas em Cabul foram abertas na madrugada para rezas e houve chamados para uma jihad (guerra santa) contra os Estados Unidos.

Dia seguinte

Tão logo amanheceu em Cabul, pessoas aterrorizadas começaram a sair de suas casas.

“Apenas Deus sabe o que aconteceu. Estou indo embora. Prefiro dormir ao relento a ficar na cidade por mais uma noite”, disse um afegão.

No entanto outros tentavam seguir com suas vidas normalmente, indo trabalhar e abrindo suas lojas.