Militar da Indonésia é condenado por ataques contra civis no Timor

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 09:22, por: cdb

Um general indonésio foi condenado a cinco anos de prisão por não conseguir evitar massacres durante a luta pela separação do Timor Leste de seus país, em 1999.

Um tribunal em Jacarta condenou o general Noer Muis, ex-comandante militar da Indonésia no Timor Leste, por não conseguir interromper dois ataques sangrentos contra civis.

Ele é o militar de mais alta patente da Indonésia a ser condenado no país por causa do envolvimento no conflito timorense.

Pelo menos mil pessoas foram mortas quando milícias pró-Jacarta entraram no país antes, durante e depois que os timorenses votaram maciçamente a favor do rompimento com o domínio indonésio.

Igreja

Muis, que era coronel na época do ataque, foi acusado de permitir que as milícias atacassem uma igreja na cidade de Suai, na qual 27 pessoas morreram em 6 de setembro de 1999.

O tribunal também acusou o general de nada fazer quando 15 civis foram mortos na casa do bispo católico Carlos Belo, no dia 5 de setembro.

“O acusado não matou ninguém, mas não evitou ou interrompeu os ataques”, disse o juiz Adriani Nurdin.

Muis aguarda em liberdade o resultado da apelação, o que pode levar de meses a anos no sistema legal indonésio.

Ele é a quinta pessoa, entre 18 acusados, a ser condenada por causa da violência no Timor Leste.

O tribunal que condenou o general Noer Muis foi constituído por causa de pressão internacional sobre a Indonésia para julgar casos de agressão contra os direitos humanos no país.

O resultado desse trabalho, porém, tem sido dúbio. O tribunal já foi criticado por ativistas de direitos humanos por absolver 11 dos acusados. Dois julgamentos ainda estão em curso.