Milícias palestinas querem expulsar israelenses sob fogo

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Publicado sexta-feira, 14 de janeiro de 2005 as 05:54, por: cdb

O objetivo das milícias palestinas que ontem à noite cometeram um ataque combinado e mataram seis soldados israelenses em uma passagem fronteiriça de Gaza é afugentar Israel sob fogo e não em uma retirada unilateral como pretende o primeiro-ministro, Ariel Sharon.

– O ataque é uma continuação da resistência e uma prova a mais de que o inimigo abandonará Gaza sob o fogo da resistência palestina. – disseram em comunicado os Comitês de Resistência Popular, uma das três milícias que participou do ataque de ontem à noite.

As outras duas são o movimento Hamas e as brigadas de Al Aqsa, braço armado do movimento Fatah.

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, anunciou sua intenção de evacuar a Faixa de Gaza na segunda metade de 2005, em um processo a princípio unilateral, mas que quer coordenar com o novo presidente palestino, Mahmoud Abbas (Abu Mazen).

No entanto, nos últimos dois meses as milícias palestinas intensificaram seus ataques em, e desde, Gaza contra alvos israelenses, em uma tentativa de criar a percepção de que são elas os que afugentam o exército e que a luta armada é a única via para desfazer-se da ocupação.

O ataque começou com a detonação de uma potente bomba de 120 quilos e seguiu com armas automáticas e o bombardeio da passagem fronteiriça com bombas, o que impediu a evacuação dos feridos israelenses durante duas horas.

Seis israelenses morreram e quatro ficaram feridos no curso da incursão, que também custou a vida dos três atacantes palestinos.

Uma parte das vítimas são aparentemente civis que trabalhavam no que é o único ponto de cruzamento para mercadorias destinadas para a população palestina de Gaza.

– Não temos claro porquê os palestinos atacariam uma passagem fronteiriça pela qual se abastecem de alimentos e remédios. – disse nesse sentido um alto comando israelense no norte da Faixa de Gaza em declarações à imprensa.

Israel fechou esta manhã a passagem fronteiriça por tempo ilimitado após convocar os motoristas para que tirem seus caminhões de lá.

Depois do ataque, Israel bombardeou supostas posições do movimento Hamas em distintos pontos de Gaza.

Fontes militares israelenses expressaram esta manhã sua decepção pela negativa do presidente eleito palestino, Abu Mazen, em lutar com mão dura contra as milícias, em lugar de tentar obter delas um compromisso para um cessar-fogo.

O governo israelense reiterou nas últimas semanas que a prova do novo líder palestino que substituirá o falecido Yasser Arafat será a prova “dos fatos” e não “das intenções”, e que um diálogo político para resolver o conflito só será possível quando a ANP colocar fim à anarquia e ao terrorismo.