México abre fronteiras para oleoduto norte-americano

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Publicado quarta-feira, 23 de novembro de 2005 as 13:02, por: cdb

O México concedeu à uma empresa do Arizona o direito de construir um oleoduto que carregaria petróleo cru mexicano para uma refinaria ao norte da fronteira que, se construída, será a primeira refinaria nova em solo norte-americano em quase três décadas. A decisão é incomum porque a constituição mexicana proíbe empresas estrangeiras de exercer atividades petroleiras no país desde 1938.

O grupo, Arizona Clean Fuels Yuma (ACFY), planeja adquirir petróleo cru do padrão Heavy Maya, extraído no sul do México, embarcá-lo em navios-tanque e depois despachá-lo ao terminal inicial do oleoduto de 400 quilômetros, a ser construído em Baja Califórnia ou Sonora, no México.

– Qualquer petróleo que chegue à instalação de transferência no norte do México não será petróleo da Pemex… o que evitará violações da constituição – disse David Treanor, porta-voz da ACFY.

A Pemex é estatal que detém o monopólio petroleiro mexicano.

A ACFY anunciou ter chegado a um acordo com Fernando Canales, secretário de minas e energia do México, para construir, operar e controlar o oleoduto, cujo custo é estimado de 650 milhões de dólares. Canales anunciou na noite de terça-feira que não haverá obstáculos legais para o projeto. “Somos a favor da idéia,” disse Canales à Reuters durante uma conferência sobre energia na Cidade do México.

A ACFY precisa agora solicitar uma licença da CRE, a comissão que regulamenta o setor de energia do país, disse um porta-voz do ministério de energia. Treanor disse que obter a licença era uma formalidade e que a empresa espera começar a construir o oleoduto dentro de 18 meses. O presidente George W. Bush declarou que os Estados Unidos precisam construir novas refinarias a fim de permitir um acúmulo maior de estoques de gasolina. Ele anunciou que trabalhará com o Congresso para aprovar um projeto de lei que facilite a construção de refinarias novas e a expansão das existentes.

A ACFY espera exportar um terço da produção da refinaria de volta ao México, país no qual o suprimento de gasolina é escasso.