Metalúrgicos cruzam os braços em São Paulo por melhores salários

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Publicado quarta-feira, 29 de outubro de 2003 as 10:23, por: cdb

Os metalúrgicos da Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz e Scania decidiram cruzar os braços a partir desta quarta-feira, em São Bernardo do Campo (ABC Paulista), para exigir reajuste salarial. A paralisação foi aprovada em assembléia realizada ontem, com cerca de 10 mil trabalhadores na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.

Segundo o diretor do sindicato, o movimento envolve 32 mil metalúrgicos. “Cada comissão de fábrica deve se reunir, discutir e analisar qual a melhor forma de greve. Onde houver condição, paramos tudo”, disse o presidente do sindicato do ABC, José Lopez Feijóo, durante a assembléia.

Os metalúrgicos farão assembléias todos os dias para decidir qual será o rumo do movimento, que vai durar por tempo indeterminado. Segundo o diretor da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, Francisco Duarte de Lima, o movimento pode se estender até sexta-feira na maior parte das montadoras.

Na manhã desta quarta-feira, foram realizados piquetes na porta das montadoras para impedir que os funcionários entrassem para o trabalho. O movimento teve adesão em quase todas as fábricas. Na Ford, quase todos os funcionários voltaram para casa.

Na Volks, pelo menos 900 veículos devem deixar de ser produzidos por dia, segundo o sindicalista. Os metalúrgicos pedem um aumento real de 20%. Eles rejeitaram a proposta das montadoras do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea), que prevê reajuste de 15,7% – reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada de outubro de 2002 a setembro deste ano – para quem ganha até R$ 4,2 mil. Acima dessa faixa salarial, haveria reajuste único de R$ 659,40. A proposta previa ainda a antecipação da data-base de novembro para outubro, este ano, e para setembro, em 2004, além de aumento de 190,34% no piso salarial da categoria, que passaria a ser de R$ 750.

O movimento grevista nas montadoras da região de São Bernardo do Campo pode se estender a outras regiões do Estado de São Paulo e ganhar adesão dos 6.500 trabalhadores da Volkswagen em Taubaté, que prometem parar a partir de quinta-feira, também por tempo indeterminado.