“Meta do superávit não é decisão do FMI”

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2004 as 16:46, por: cdb

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse nesta terça-feira, durante audiência no Senado, que a meta de superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2005 e 2006 resulta de uma decisão de governo e não de uma exigência do Fundo Monetário Internacional. “É o suficiente para melhorarmos a dinâmica da dívida e trabalharmos com juros cada vez menores”, explica.

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o ministro acrescentou que defende superávit primário de 4,25% por muitos anos ainda, uma vez que a taxa anterior, de 3,65%, é insuficiente.

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), também defendeu a política fiscal adotada pelo governo, afirmando que o Brasil obteve um resultado “espetacular” no controle inflacionário. “De fato, o crescimento econômico de menos de 0,2% foi um custo elevado, mas é bom lembrar que a safra agrícola do ano passado obteve recorde histórico”, observa o parlamentar.

Mercadante criticou o comportamento da oposição em relação à política econômica. “Acho inaceitável o comportamento de alguns setores da oposição, que criam uma política que inviabiliza ao país superar a crise”. Segundo ele, esse comportamento, muitas vezes, beira a “irresponsabilidade política”.

Juros altos

Sobre os juros, Palocci lembrou que os juros de mercado atualmente são bem menores do que a taxa básica de juros (Selic). Segundo o ministro, isso reflete a política econômica do governo. Ele voltou a defender que a política do governo seja mantida por mais alguns anos. Porém, disse que, se houver uma excepcionalidade, o governo não se furtará a discutir mudanças na meta.

Palocci afirmou que o governo sempre destacou que o superávit primário de 3,75% do PIB era inadequado para resolver as questões fiscais do país. “Isso era um problema que poderia ser resolvido anteriormente”, disse Palocci.

O ministro disse também que é necessário elevar a arrecadação da Previdência, mas isso não significa subir as alíquotas. “Isso mostraria a formalização do trabalho e o crescimento da economia”. Palocci admitiu que a agenda de crescimento deste ano é mais complexa e dificil de ser construída, o que não significa que 2004 seja pior do que o ano passado