Mercosul pede a países ricos maior corte de subsídios agrícolas

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Publicado sexta-feira, 9 de dezembro de 2005 as 16:44, por: cdb

O Mercosul pediu nesta sexta-feira aos países desenvolvidos um novo avanço na eliminação de subsídios a seus produtos agrícolas e alertou que uma abertura maior nos setores industrial e de serviços geraria mais desemprego na região. A proposta do bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai enfrenta a da União Européia (UE). Ambas serão discutidas na próxima semana na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Hong Kong.

– Nós do Mercosul demonstramos total disposição e flexibilidade proporcional a nossas possibilidades, mas precisamos de um gesto um pouco maior deles, um gesto mais humanitário –  disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A União Européia, bloco comercial com maior quantidade de subsídios no mundo, enfrentou pressões para ceder, embora potências agropecuárias como a França insistem seja contrária a mudanças.

– Lá (em Hong Kong) devemos lutar para conseguirmos a eliminação dos subsídios à exportação e a drástica redução das medidas de ajuda interna que os países desenvolvidos outorgam a produtores ineficientes –  disse o presidente argentino, Néstor Kirchner.

Ele acrescentou que diminuir os níveis de proteção industrial do Mercosul e um aumento da abertura do setor de serviços “atentaria contra nossa industrialização e o nível de emprego”.

Os países ricos querem que as nações em desenvolvimento, especialmente os mais avançados como Brasil e Índia, abram seus mercados para produtos industrializados e serviços, onde as nações desenvolvidas são mais fortes. Essas discussões ameaçam travar a reunião da OMC.

– Que Hong Kong não seja um final, que permita que a partir de janeiro o G8 (grupo dos países mais ricos) convoque os membros do G20 (grupo de países exportadores de matérias-primas) para retomar uma negociação política sobre o que queremos para o comércio entre os países emergentes, pobres e ricos. Os presidentes do Mercosul devemos fazer pressão porque senão todos nós passaremos outros 20 anos com os pobres sendo mais pobres e os ricos sendo mais ricos – acrescentou Lula.