Mercado de energia solar está entre os mais promissores no Brasil

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Publicado sábado, 28 de janeiro de 2017 as 16:00, por: cdb

Desde 2014, quando foi lançada a política brasileira para a energia fotovoltaica, “apenas uma grande fábrica de equipamentos foi confirmada no país, pela Canadian Solar”, afirma o jornalista Luciano Costa

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Os planos do Brasil de desenvolver uma indústria local de equipamentos para energia solar e fomentar a construção de usinas deste gênero têm andado em ritmo lento. O que leva o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a avaliar mudanças em um programa que busca atrair para o país fornecedores de equipamentos para o setor.

Considerada sustentável, a energia solar sai mais cara do que opções como as hidrelétricas e termelétricas
Considerada sustentável, a energia solar está entre opções para as hidrelétricas e termelétricas

Desde 2014, quando foi lançada a política brasileira para a energia fotovoltaica, “apenas uma grande fábrica de equipamentos foi confirmada no país, pela Canadian Solar”, afirma o jornalista Luciano Costa, repórter de setor elétrico e commodities na agência internacional de notícias Thomson Reuters.

Leia, adiante, a íntegra do texto:

Nesse período, foram realizados três leilões que contrataram quase 3 gigawatts em usinas fotovoltaicas, mas menos de 20% desses empreendimentos tiveram obras iniciadas até o momento, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A maior parte dos investidores contava com financiamentos do BNDES, que só podem ser concedidos para usinas com um nível de conteúdo local pré-estabelecido pelo banco. Com o gargalo na capacidade dos fornecedores nacionais, muitas empresas tentam agora negociar com o governo um cancelamento dos empreendimentos para evitar multas.

“Estava todo mundo esperando o BNDES… agora está todo mundo desesperado com esses projetos… É um mercado dependente do BNDES”, afirmou à Reuters o especialista em setor elétrico da consultoria E&Y, João Victor Ferraz.

A superintendente de energia do BNDES, Carla Primavera, disse que o banco tenta atrair mais fornecedores de painéis solares para o Brasil ao mesmo tempo em que estuda mudanças em suas regras de conteúdo local.

Essa regras, válidas desde 2014, previam originalmente um aumento da exigência de nacionalização em 2018 e depois em 2020, mas uma flexibilização está sendo discutida.

“A gente está debatendo o que seria, eventualmente, uma alteração (nas exigências) para o futuro. Levando em consideração, inclusive, que a demanda por energia está em debate”, disse Carla Primavera.

De acordo com a executiva, o assunto tem sido tratado pelo banco junto à Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), que reúne investidores em usinas e produtores de equipamentos do setor.

Energia solar

No final de 2016, o governo chegou a cancelar um leilão previsto para dezembro que contrataria novas usinas eólicas e solares, em meio a uma baixa demanda por eletricidade devido à crise econômica do país.

O presidente da consultoria Braselco, Armando Abreu, avalia que o cancelamento tornou ainda mais difícil a atração de indústrias de painéis solares para o Brasil.

“Para os fabricantes, tem que haver mercado… Foi um péssimo exemplo. As empresas se prepararam para ir ao leilão e foi cancelado. Isso leva a uma desconfiança dos investidores, eles não têm nenhuma segurança de vir para o Brasil montar suas fábricas”, disse.

Governadores de Estados da região Nordeste também se queixaram e tentaram convencer o governo federal a voltar atrás na decisão, mas o Ministério de Minas e Energia disse que eventuais novos leilões dependem de uma análise em andamento sobre o cenário de oferta e demanda por energia no país.

A energia solar responde atualmente por apenas 0,02% da matriz elétrica brasileira. Se viabilizados todos os projetos contratados nos últimos leilões, a expansão elevaria a participação desta fonte energética a quase 2%.

Cenário global

O principal problema para o surgimento de uma indústria solar nacional é, segundo os especialistas, a forte competição com os painéis chineses, que são muito mais baratos. Em um cenário global, dificilmente produtos produzidos no Brasil teriam chances de concorrer.

A diferença de preços inclusive faz com que projetos de geração de pequeno porte, como a instalação de placas solares em telhados, por exemplo, utilizem hoje principalmente equipamentos chineses, disse à Reuters o diretor da CPFL Eficiência, Pablo Becker. “O Brasil não é competitivo em painéis”, afirmou.

Os módulos solares produzidos pela Canadian Solar no Brasil custam entre 35 e 40% a mais do que o equipamento importado da China, disse o diretor de vendas da empresa para América do Sul, Hugo Albuquerque.

— Hoje o principal fator que causa a diferença é o imposto… e também tem um fator de aprendizado. A gente espera conseguir reduzir (os custos) no médio prazo em entre 5 e 10% — disse.

Maior mercado

Em meio a esse cenário, o BNDES também passou a analisar alternativas para financiar mais projetos de pequeno porte, chamados de microgeração solar.

— É uma agenda estratégica para nós, fazer esse fomento, aumentar esse apoio ao longo de 2017 — disse Carla Primavera.

Segundo Albuquerque, da Canadian Solar, essas pequenas instalações também estão no radar da companhia:

— Esse vai ser o maior mercado do Brasil nos próximos anos.

Nesta semana, a Aneel divulgou que o Brasil tem 7,6 mil pequenos sistemas de geração instalados por consumidores, a maior parte deles de energia solar, o que representa avanço de mais de 300% ante o final de 2015.