Mercadante volta a criticar o modelo econômico do Brasil

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Publicado terça-feira, 16 de outubro de 2001 as 13:55, por: cdb

Contra a política econômica do governo brasileiro, o secretário de relações internacionais do PT, Aluizio Mercadante, propõe as medidas adotadas pelo governo republicano de George W. Bush. A receita é keynesiana: diminuir impostos, baixar a taxa de juros e o Estado investir na economia. “Na hora que os Estados Unidos entraram em recessão, o que eles fizeram: reduziram a taxa de juros em mais de 50%, aumentaram os gastos públicos violentamente e socorreram empresas em dificuldades. Devolveram US$ 38 bilhões de impostos e estão falando num pacote de mais US$ 150 bilhões de socorro à economia”, disse Mercadante.

Esses medidas são o oposto do que o governo está fazendo: “Qual foi a resposta do Brasil à recessão? Aumentou a taxa de juros, de 15 para 19%, aumentou os impostos e vem cortando violentamente os gastos públicos. O Brasil praticou no ano passado o maior superávit primário de toda a economia mundial, tanto em termos absolutos quanto relativos, e este ano vai aumentar ainda mais o superávit primário, o que quer dizer cortar ainda mais o gasto público e aumentar ainda mais os impostos, o que inviabiliza sair da recessão”, avalia Mercadante.

Mercadante acusa as receitas do FMI de serem o contrário do que os Estados Unidos fizeram na sua crise: “Eles impõem a países como o Brasil o oposto do que eles fazem”. Ele acredita que os ataques terroristas aos Estados Unidos foram o “pretexto keynesiano do neoliberalismo”.

Para Mercadante, a política econômica do governo teria de abandonar a ortodoxia neoliberal. “Num quadro de recessão, você tem que ter uma política que fortaleça a demanda agregada, que estimule os investimentos. O Brasil precisa recuperar a liberdade de fazer uma política econômica voltada para os seus interesses como nação. Na recessão e na crise, todos os paradigmas neoliberais vêm abaixo e o que prevalece é uma intervenção maior do Estado no sentido de recuperar a economia e recuperar o crescimento”.

Ele responsabiliza o atual governo pelo baixo crescimento econômico do País: “Se você pegar o século XX inteiro, só três presidentes da República conseguiram fazer o Brasil crescer menos do que Fernando Henrique Cardoso: Wenceslau Braz, na Primeira Guerra Mundial, Washington Luiz, na crise de 29, e Collor, porque era o Collor. Fernando Henrique é o quarto presidente com menores taxas de crescimento, uma média de 2,3% ao ano”.