Mercadante presta depoimento à PF e nega relação com dossiê

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Publicado quinta-feira, 23 de novembro de 2006 as 17:48, por: cdb

O senador petista Aloizio Mercadante prestou depoimento à Polícia Federal na manhã desta quinta-feira em Brasília e negou ter relação com dossiê contra políticos tucanos. Por ser senador e ter foro privilegiado, Mercadante escolheu o local e hora em que foi ouvido pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito que investiga o escândalo da tentativa de compra de um dossiê contra políticos do PSDB.

O senador disse ao delegado que, no dia 4 de setembro, recebeu em seu gabinete a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), acompanhada de Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, e de Oswaldo Bargas, ex-secretário-executivo do Ministério do Trabalho. Os dois últimos são acusados de participar da compra dos documentos.

Mercadante disse que, na reunião, foi informado de que Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia das sanguessugas, estaria escondendo informações sobre Abel Pereira, suspeito de ser a ponte dos tucanos com o esquema. Segundo o senador, eles sugeriram que a bancada do PT usasse isso no depoimento que Vedoin daria no dia seguinte ao Conselho de Ética do Senado.

Ele afirma que rechaçou a idéia, e que defendeu que somente a CPI poderia explorar o caso. E que ele, Mercadante, não se envolveria nisso para não o acusarem de uso eleitoral do caso, já que disputava as eleições para o governo paulista contra o tucano José Serra.


O senador negou ao delegado que a negociação de compra de um dossiê tenha sido citada na reunião. Esse encontro em seu gabinete, segundo afirmou, já havia sido revelado em carta ao jornal “Folha de S.Paulo” no dia 23 de outubro.

O petista disse ao delegado que não conhece Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos pela Polícia Federal em São Paulo com parte do dinheiro que seria usado na compra do dossiê. Ele contou que conhecia Jorge Lorezentti, mas que nunca conversou com ele.

O senador afirmou ainda que, após o episódio, não conversou com pessoas envolvidas no caso, nem mesmo com Hamilton Lacerda, que era seu assessor na campanha ao governo paulista na época que a operação de compra do dossiê foi desmontada pela Polícia Federal.

Um ex-assessor de Mercadante, Hamilton Lacerda, foi citado pela PF no relatório parcial sobre o caso. Lacerda foi visto entrando com uma mala no hotel Ibis, em São Paulo. Dois petistas foram presos no hotel com R$1,75 milhão, que seria usado na compra do dossiê. Lacerda alega que teria levado na mala boletos de contribuição para a campanha presidencial.