Meningite mata 3 pessoas em Minas Gerais e assusta a população

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Publicado terça-feira, 16 de setembro de 2003 as 02:14, por: cdb

Os cinco casos de meningite meningocócica, com três mortes, registrados na última semana em Simonésia e Santana do Manhuaçu, na Região Leste de Minas Gerais, ainda provocam pânico entre os moradores, principalmente os da zona rural, onde moravam as vítimas. 

O medo e a desinformação têm levado dezenas de pessoas aos postos de saúde e hospitais ao menor sinal de dor de cabeça e febre, dois dos sintomas da meningite. Também têm impedido a reabertura das escolas. Duas delas nem abriram na última segunda-feira, por falta de alunos.

Cerca de 70 pessoas, entre estudantes e familiares dos contaminados estão em tratamento com o antibiótico Rifampicina, que exige acompanhamento por oito dias.
 
Isso leva a titular da Diretoria de Ações Descentralizadas de Saúde (DADS) de Manhumirim, Soraya Ferreira Caetano de Carvalho, a acreditar que as aulas devem ser reiniciadas amanhã. Para esclarecer dúvidas da população, a diretora tentará marcar uma entrevista coletiva com a imprensa nesta terça-feira, em Belo Horizonte.

– Precisamos da ajuda da imprensa para tranqüilizar a população – disse.

Antes disso, às 14 horas, ela se reunirá com o superintendente de Gestão Estratégica da Secretaria de Estado da Saúde, Tarcísio Monteiro, e com o subsecretário José Maria Borges.
 
Na próxima quarta-feira, se reunirá com o secretário de Saúde, Marcos Pestana, e o pessoal da DADS. Nesses encontros, vai discutir as ações que estão sendo tomadas e que precisarão ser iniciadas.
Segundo a diretora Soraya, a meningite é doença transmitida através de secreções, e se prolifera por falta de higiene.
 
– A população deve ficar tranqüila, porque há medicamentos suficientes. A situação está sob controle, mas é preciso tomar cuidados básicos, como não compartilhar o mesmo copo – orientou Soraya.

Palestras estão sendo ministradas nos dois povoados onde os focos surgiram, e que fazem divisa: Córrego São João do Capim, em Simonésia e São João Grande, em Santana do Manhuaçu.

Segundo a secretária Municipal de Saúde de Simonésia, Ione Neves de Moura, providências estão sendo tomadas em auxílio à DADS para o bloqueio. R.C.C., 13 anos, que chegou ao Hospital César Leite, às 12h30 da quinta-feira e morreu meia hora depois, morava em Simonésia.
 
Ele era um dos 40 alunos que utilizavam o mesmo ônibus escolar. R. foi o primeiro a ser hospitalizado com os sintomas da doença. Logo após, foi o também estudante M.A.P., 16 anos, com o mesmo quadro clínico. M. morreu por volta das 17h30, na mesma quinta-feira.

Ás 22 horas do mesmo dia, o estudante L.J.G., 12 anos, foi internado com os mesmos sintomas. Sexta-feira, por volta das 12 horas, foi a vez do quarto adolescente, S.E.C., 18 anos. L. e S. continuam internados. Seus quadros clínicos são considerados bons.

Gilvan Costa, 23 anos, que até segunda-feira não figurava entre os possíveis contaminados por não ter sido notificado, também pode ter sido vítima da meningite meningocócica tipo B, que mata em 24 horas.
 
A Fundação Ezequiel Dias divulgará os laudos nesta terça-feira. Ele era primo de R. e morreu, sexta-feira, com os sintomas da doença. Não há novos casos suspeitos sendo investigados, segundo Carvalho.