Menina é atingida por bala perdida no Rio

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Publicado segunda-feira, 15 de setembro de 2003 as 10:11, por: cdb

Uma menina de 12 anos foi baleada, ontem à noite, quando saía de uma festa no Grajaú, zona norte do Rio. Segundo as primeiras informações, Taís da Silva foi atingida por uma bala perdida por volta das 23h, durante tiroteio entre policiais do 6º batalhão (Tijuca) e traficantes do Morro do Encontro, na Estrada Grajaú-Jacarepaguá. Ela foi levada para o Hospital do Andaraí. O caso foi registrado na 19ª DP.

A morte da garota ocorreu no mesmo dia em que cerca de 40 mil pessoas participaram da passeata Brasil Sem Armas, organizada pelo Movimento Viva Rio na praia de Copacabana, na zona sul da cidade.

A passeata contou com a presença de autoridades dos governos federal, estadual e municipal, empresários, artistas e trabalhadores. O Secretário de Segurança Pública do estado, Anthony Garotinho, vaiado ao chegar à Avenida Atlântica, foi protegido por um cordão de isolamento, mas negou ter sido alvo da manifestação.
Cerca de 40 atores do elenco da novela Mulheres Apaixonadas, da rede Globo, gravaram cenas durante a passeata e declararam sua adesão à manifestação pelo desarmamento.

À semelhança de uma escola de samba, a caminhada foi dividida em alas. Uma das mais comoventes foi a dos parentes e amigos do comerciante chinês Chan Kim Chang, que teria morrido em função de torturas sofridas por agentes penitenciários no Presídio Ari Franco. Ele foi detido ao tentar embarcar para os Estados Unidos com valor em torno de US$ 30 mil não declarados à Receita Federal e oriundos, segundo ele, da venda de uma pastelaria. Os familiares e amigos portavam cartazes com fotos de Chang, exigindo “Tortura Nunca Mais”.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse estar convencido de que a passeata vai ajudar a acelerar a aprovação do Estatuto do Desarmamento. Ele observou que um Brasil seguro, como a população deseja, só será possível com o estatuto vigorando e implantado de forma efetiva.

Ele alertou, porém, que não se pode ter a ilusão de que a simples promulgação do projeto vai nos levar ao paraíso. “É preciso implantá-lo, criar um cadastro que seja real, concreto, com o qual nós consigamos de fato fiscalizar as coisas”, afirmou.