Menchú pede aos governos europeus valorização dos latinos-americanos

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Publicado quinta-feira, 30 de outubro de 2003 as 04:32, por: cdb

A ativista guatemalteca Rigoberta Menchú pediu na última quarta-feira aos governos europeus para reconhecer e valorizar os imigrantes latino-americanos dentro de suas sociedades, sem deixá-los de lado nem excluí-los.

Na inauguração do IV Fórum de Biarritz em Valle de Bravo, próxima à capital mexicana, a vencedora do Prêmio Nobel de Paz elogiou também as recentes alianças feitas entre países europeus e da América Latina para opôr-se à invasão dos aliados ao Iraque.

– Pedimos também um tratamento justo e equitativo para os trabalhadores latino-americanos expulsos pela miséria de nossos países, que vão trabalhar pelo engrandecimento e o maior conforto de uma Europa que lhes oferece oportunidades mas não direitos – ressaltou Menchú na primeira sessão do fórum.

A ativista pediu que os europeus invistam e gerem fontes de trabalho na América Latina e transfiram tecnologias, ‘mas somente a partir de decisões consultadas com nossos povos que representem nossos interesses e a avaliação justa de nossos recursos’.

– Sobretudo queremos uma relação de cooperação, que sendo em benefício das duas partes, possa exemplificar ante o mundo as vantagens do diálogo e a busca de alternativas frente aos esquemas conhecidos e repetidos mais de uma vez – acrescentou.

A líder indígena ressaltou que a América Latina por sua vez necessita da Europa para diversificar suas opções de desenvolvimento.

– O México -ressaltou-, que hoje nos acolhe, sabe o que é depender de um só mercado, extremo ao qual foi levado pelo Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN) – falou.

– A América Latina parece estar toda condenada a assinar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), reproduzindo a situação do México em nível de continente – lamentou Menchú.
Os ataques mais duros de sua intervenção foram de crítica à invasão bélica ao Iraque liderada pelos EUA e secundada por seus aliados, a Espanha e o Reino Unido entre eles.

– Se passaram apenas alguns meses desde que a prepotência americana consumou a invasão de um país indefeso pretendendo arrastar todo o mundo atrás dessa aventura da qual hoje não sabe como sair – acrescentou.

Menchú elogiou o comportamento de países como Chile, México, Alemanha ou França que desde o Conselho de Segurança ‘nos salvaram do opróbrio nessa oportunidade’.

– Se aquela invasão inclassificável não teve sustento algum na lei internacional nem razões reais que justificassem, a ocupação desde o final das hostilidades não fez mais que confirmar esse despropósito – acrescentou.

Finalmente lembrou que entre as demandas mais urgentes na América Latina estão o combate contra a pobreza, o reconhecimento dos povos indígenas e o estabelecimento de regras comerciais mais justas.