Memórias de Hillary Clinton causam furor nos EUA

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Publicado segunda-feira, 9 de junho de 2003 as 17:40, por: cdb

A autobiografia da senadora Hillary Clinton chegou nesta segunda-feira às livrarias dos Estados Unidos, em meio a uma onda de publicidade que deram a impressão de que os tumultuados anos de sexo e escândalos da Casa Branca de seu marido foram “ontem”.

A ex-primeira-dama autografou cópias de Living History em meio a uma multidão de profissionais de mídia e curiosos em uma livraria de Manhattan, onde a fila dos fãs dava volta no quarteirão.

– É história. Talvez ela se torne a primeira mulher presidente. É o que esperamos”, disse sua amiga Blanche Siegel. Não consigo pensar em ninguém que esteja um segundo na frente – disse Ruth Cahn, bibliotecária aposentada de Nova York.

Clinton não deu indicações de que vá disputar a Presidência em 2004, mas muita gente diz que ela é uma possível candidata. Ela ocupou a Casa Branca ao lado do presidente Bill Clinton de 1991 a 2000.

Cinqüenta e oito por cento dos eleitores de Nova York disseram em uma pesquisa recente que não querem que ela concorra à Presidência.

Em frente à livraria, dois manifestantes carregavam cartazes com os dizeres “Hillary sabia”, em referência ao escândalo de Bill Clinton e Monica Lewinsky, que acabou gerando um processo de impeachment em 1998.

“Ela está reescrevendo a história”, disse o manifestante Raoul Deming.

BEST-SELLER

No livro, Clinton afirma que acreditou nas negativas de seu marido até ele confessar a verdade em agosto de 1998, dois dias antes de testemunhar diante do grande júri.

Clinton fala sobre o caso pela primeira vez, mas não chega a fazer nenhuma revelação sensacional.

– Essas foram questões obviamente pessoais e momentos privados que infelizmente vieram a público por questões partidárias – disse ela.

A expectativa quanto ao livro era tão grande que as livrarias de Nova York e Washington abriram suas portas um minuto após a meia-noite de domingo para vender Living History.

Clinton fez o que pôde para manter a linha enquanto repórteres disparavam perguntas intensamente pessoais. Mas alguns assuntos continuaram tabus.

Um jornalista perguntou se ela já teve que se desculpar com seu marido por ter tido um caso, ao que ela replicou: “Esta pergunta não merece resposta”.

Depois de pagar uma adiantamento de 8 milhões de dólares pela publicação, a editora Simon & Schuster espera um estouro na vendas. Living History já está em segundo lugar nas listas de best-sellers norte-americanas online.