Membros do Judiciário teriam tramado seqüestros

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Publicado sexta-feira, 25 de janeiro de 2002 as 19:10, por: cdb

Sem sotaque gaúcho, um homem de Porto Alegre telefonou na quinta-feira, às 16h45, ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para denunciar a participação de um juiz e dois desembargadores cariocas no assassinato do prefeito de Campinas, Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel. Os três membros do Judiciário estariam à frente de uma quadrilha com atuação na área de transportes em São Paulo.

O telefonema, considerado estranho pelo próprio senador, foi feito de um telefone público localizado na rua Ramiro Barcelos, em frente ao Hospital Moinhos de Ventos, área nobre da capital do Rio Grande do Sul. O informante disse ter transportado dois carros de luxo do juiz carioca, Mazda e BMW. Ele teria se desligado da quadrilha por não aceitar novos “métodos” praticados pelo grupo.

Quem primeiro atendeu o informante foi uma assessora de Eduardo Suplicy no Senado. “Eu estou fugido; queria que você passasse o telefone para o senador”, pediu o homem, que se recusou a enviar qualquer informação por escrito, como é de praxe, no atendimento a casos de denúncias, no gabinete do senador. Depois, para um outro assessor de Suplicy, o homem disse ter trabalhado em uma empresa de transportes de São Paulo. Essa empresa prestaria serviços para a quadrilha chefiada pelo juiz carioca. O nome desse juiz e a alcunha dos dois desembargadores foram repassados ontem para o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Bonifácio de Andrada.

A Polícia Federal também vai analisar duas mensagens deixada por um outro homem, entre sábado e domingo, na secretária eletrônica de Eduardo Suplicy. As gravações do suposto seqüestrador do prefeito Celso Daniel pediam para o senador desligar o telefone que ele queria falar sobre o seqüestro. Antes, em uma conversa não gravada, o homem disse que estava com o prefeito Celso Daniel. Porém, no momento em que ocorreu o diálogo, o prefeito já estaria morto.

Os supostos telefonemas foram divulgados hoje durante sessão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), no Ministério da Justiça. O secretário de Estado dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou que as ligações serão investigadas pela Polícia Federal. O conselho decidiu formar comissões para acompanhar as investigações sobre as mortes dos prefeitos petistas.

Eduardo Suplicy pediu ainda que a Polícia Federal proteja todos os pré-candidatos à Presidência da República, inclusive ele. Mas ao contrário de demais senadores petistas, o Suplicy garantiu não ter recebido nenhuma ameaça de morte. “Até agora só recebi carinho”, disse. O secretário de Estado dos Direitos Humanos considerou que o pedido do senador é de “bom senso” e “respeitável”, por isso remeteria para análise do ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira.