‘Médicos pagam para trabalhar’, afirma presidente do sindicato da categoria

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Publicado quarta-feira, 31 de agosto de 2011 as 22:47, por: cdb

‘Médicos pagam para trabalhar’, afirma presidente do sindicato da categoria

Entre 2000 e 2011, o reajuste das mensalidades dos planos de saúde foi de 133% em média; a inflação acumulada no período ficou em 106% e os valores pagos aos médicos subiu 44%

Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual

Publicado em 31/08/2011, 16:45

Última atualização às 17:22

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São Paulo – Duas grandes manifestações de médicos contra os planos de saúde estão marcadas para este mês de setembro. Nesta quinta-feira (1) começa em São Paulo a paralisação escalonada por especialidades. E para o dia 21 está marcada uma greve nacional, de 24 horas, por profissionais de todo o país que deixarão de atender clientes dos convênios.

Na ocasião será suspenso o atendimento de consultas com hora marcada dos usuários de planos e operadoras de saúde que não negociaram ou não apresentaram propostas satisfatórias quanto ao reajuste de honorários pagos por consulta e valor de procedimentos realizados.  A lista de planos e operadoras que terão o atendimento suspenso ainda não foi divulgada.

Segundo o neurocirurgião Cid Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), a primeira mobilização nacional da categoria realizada neste ano aconteceu em 7 de abril, quando 80% da categoria aderiu à paralisação e os planos de saúde, finalmente, começaram a pensar em dialogar com os profissionais.

“Há uma tremenda insatisfação na categoria com o desrespeito e menosprezo com que as empresas de saúde privada têm tratado os médicos e os pacientes”, afirmou o dirigente do Simesp. “Foram feitas várias tentativas de discussão de nossas reivindicações. Mas poucas empresas nos atenderam. E a maioria das que responderam, apresentam propostas insatisfatórias”, explica o médico, para quem as empresas são conscientes de que podem oferecer atendimento de melhor qualidade aos pacientes.

Carvalhaes explica que entre os pontos defendidos pelo movimento dos médicos estão questões contratuais, entre as quais o credenciamento e descredenciamento de médicos pelos planos de saúde ao seu belprazer, sem critérios claros e transparentes.

No Brasil, a média recebida por consulta pelos especialistas é de R$ 27, enquanto o custo médio operacional de cada atendimento (manutenção do consultório, equipamento e pagamento de aluguel, entre outros itens) é de R$ 19. Assim, numa perspectiva otimista, o médico tem uma remuneração final de até R$ 11 por consulta. “E numa ótica realista, de 7 a 8 reais, sendo que há muitos casos em que o profissional ‘paga’ para atender”, ressalta Carvalhaes.

No SUS, o salário do médico também é baixo e em muitos casos chega a se equiparar ao pago na saúde privada. Mas, em geral, a remuneração é levemente superior e não há a figura do intermediário lucrando à custa da exploração do profissional e do cliente dos planos.

Cálculos do Simesp indicam que de 2000 a 2011 os planos de saúde foram reajustados em média 133%, sendo que a inflação acumulada no período medida pelo IPCA foi em torno de 106% e os valores pagos aos médicos subiu apenas 44%. No período, o faturamento das operadoras tiveram um crescimento de 129%. 

Segundo Carvalhaes, a situação abusiva chegou a esse ponto devido à complacência da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS). “A agência poderia ser mais ‘coercitiva’ com os planos e menos omissa, menos benevolente”, aponta, veemente.

O órgão fiscalizador é dirigido por Maurício Ceschin, que é consultor em projetos na área de saúde para grandes empresas e dirigiu o Grupo Qualicorp e a Medial Saúde, hoje nas mãos da Amil.

A agência não publicou uma posição oficial sobre o movimentos dos médicos contra as prestadoras.

A categoria reivindica que os planos de saúde passem a pagar R$ 80 pela consulta e que não interfiram nas decisões tomadas pelos médicos na condução do tratamento. É comum o médico pedir exames e procedimentos que acabam desautorizados pelas operadoras.

Confira o cronograma de suspensão do atendimento por especialidade que começa neste dia 1 em São Paulo e vai atingir usuários da Ameplan, Assefaz, Cetesb, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Green Line, Intermédica, Mediservice, Notredame, Porto Seguro, Prosaude, Vale e Volkswagen:

1 a 3 de setembro – Ginecologia e Obstetrícia
8 a 10 de setembro – Otorrinolaringologia
14 a 16 de setembro – Pediatria
16 a 19 de setembro – Cardiologia
19 e 20 de setembro – Ortopedia e traumatologia
21 a 23 de setembro – Pneumologia e tisiologia
28 a 30 de setembro – Cirurgia Plástica