Médicos americanos tentam separar siameses egípcios unidos pela cabeça

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 12 de outubro de 2003 as 13:34, por: cdb

Pode durar quatro dias a cirurgia que tenta separar dois bebês do Egito, de dois anos, unidos pela cabeça. A operação teve início às 11h do sábado, no horário de Brasília, num hospital em Dallas, nos Estados Unidos. A equipe médica está otimista em relação à cirurgia, já que as crianças, dois meninos, possuem cérebros separados.

O último boletim médico, divulgado às 4 da manhã de hoje, informou que os gêmeos Ahmed e Mohamed Ibrahim apresentam condições estáveis de saúde. Antes da cirurgia, os médicos retiraram tecido das costelas para cobrir a cabeça das crianças, assim que o procedimento terminar. A fase mais arriscada da cirurgia – a divisão dos vasos sanguíneos – teve início às 17h de ontem.

Os gêmeos nasceram no dia 2 de junho de 2001, numa pequena cidade ao sul do Cairo, e viajaram para Dallas com a ajuda da Fundação Mundial Craniofacial (World Craniofacial Foundation), que auxilia crianças com deformidades na cabeça e na face a receberem tratamento. A entidade arrecadou 125 mil dólares para a cirurgia de separação, que custará no total mais de 2 milhões. O hospital em Dallas e a equipe médica doaram seus honorários.

Segundo a Fundação, o nascimento de gêmeos siameses unidos pela cabeça é extremamente raro e ocorre a cada 2 milhões de nascimentos. Apesar da complexidade e do risco da cirurgia, os médicos afirmaram que se continuassem unidos os bebês perderiam progressivamente as funções vitais. Os pais das crianças, que trabalham como agricultores no Egito, são muçulmanos e não realizaram a cirurgia antes porque temiam desrespeitar a vontade de Deus. Eles aguardam no hospital o final do procedimento.

Em julho, médicos de Cingapura tentaram, sem sucesso, separar as irmãs iranianas Ladan and Laleh Bijani, de 29 anos, que também eram unidas pela cabeça. Elas não resistiram e morreram 50 horas após a cirurgia.