Mecânico é chamado de monstro por mãe de vítima em segundo julgamento

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 24 de outubro de 2006 as 20:48, por: cdb

O segundo dia de julgamento do mecânico Francisco das Chagas, 41, acusado de matar e mutilar 42 meninos no Maranhã e no Pará, começou com a leitura de partes do processo. Foi revisto o laudo feito por especialistas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e do Centro Universitário do Maranhão (Uniceuma) em dezembro de 2003, que classificam o mecânico com personalidade “psicopática estilo paranóica latente”. O exame atesta que Chagas “não se comove com os conflitos e dificuldades dos outros”. O mecânico apresenta ainda anulação dos recursos afetivos e de relacionamento sexual saudável.

Também foi realizado um comparativo entre os corpos encontrados em São Luís (MA) e Altamira (Pará) para relacionar a forma como foram mortos os meninos e tentar identificar os elementos encontrados junto com as vítimas. Depois da leitura, foi chamada Rita de Cássia, a primeira testemunha do julgamento. Ela disse que viu seu filho pela última vez em seis de dezembro de 2003.

– Tomamos café e percebi que tinha algo estranho, mas não pude conversar com ele, pois estava atrasada para o trabalho -, relatou.

Rita disse que, ao retornar do restaurante onde trabalhava, encontrou seu companheiro Manoel de Jesus bastante triste e sua filha Rejane contou do desaparecimento de J. Rita procurou a delegacia mais próxima para registrar o caso e suspeitava que Chagas teria sido responsável pelo ocorrido. O réu morava na mesma região da vítima e o conhecia porque costumava arrumar sua bicicleta.

Outras seis testemunhas devem ser ouvidas nesta terça. O promotor Samaroni de Souza Maria espera que não seja necessário mais um dia de julgamento.

Chagas foi preso em 2004, acusado de matar 42 meninos. Seus depoimentos mudaram durante o período em que esteve detido. Pouco após a morte de J.S.V., ele negou tudo. Depois, confessou ter assassinado 30 meninos no Maranhão e 12 no Pará. Chegou a apontar para a polícia o local onde deixou as vítimas, com margem de erro de 50 metros em relação aos dados dos laudos necroscópicos.

Recentemente, porém, ele disse ao advogado, Erivelton Lago, que “tem muita criação em cima disso”. Como exemplo das “invencionices”, Lago afirma que há gente condenada por homicídios atribuídos a seu cliente.

O caso dos Meninos Emasculados teve repercussão internacional. Cerca de 500 pessoas fizeram as incrições para assistir o julgamento do mecânico. O júri foi montado em um clube na Praia do Aragacy, nas proximidades de São Luís.