Mayana Zats considera pesquisas com células-tronco embrionárias mais positivas

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Publicado quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005 as 15:33, por: cdb

A coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zats, considera importante a pesquisa que avaliará a eficiência da terapia celular no tratamento de doenças cardíacas. Para ela, é necessário que o Ministério da Saúde (MS) dê suporte também para estudos com células-tronco retiradas do cordão umbilical e, principalmente, de embriões que sobram nas clínicas de reprodução assistida.

Geneticista que estuda o potencial das células-tronco na cura de doenças neuro-musculares e árdua defensora do uso terapêutico da clonagem terapêutica, Mayana vê com reservas o uso de células-tronco maduras, como as que são retiradas de medula óssea.

– O auto-transplante, chamado assim porque se retira células da medula óssea do próprio paciente, tem potencial limitado porque essas células não se especializam em qualquer tecido, diferentemente das células embrionárias – explicou.

A pesquisadora alertou ainda para o fato de que o Brasil tem ensaios terapêuticos com uso de células-tronco e ainda não referendou tratamento com terapia celular.

– É preciso registrar a diferença porque uma coisa é a experiência, válida que se vem fazendo, e outra é o tratamento. Temos que informar a população para não gerar falsas expectativas – alertou.

Mayana conta ter conhecimento das pesquisas do grupo do Rio de Janeiro, já em curso, que teriam tido resultados promissores na produção de células de neo-vascularização e não de células cardíacas.

– Como as CT da medula óssea não se especializam em qualquer tecido, o que se tem é uma melhor vascularização do coração e não a reprodução das células do coração. O que já é um grande avanço, sem dúvida. Mas pode-se avançar mais com as células embrionárias, acredito.

Para a geneticista, o estudo que envolve vários centros para avaliação do potencial das células-tronco na cura de doenças cardíacas precisa ser bem coordenado para que se diga qual é o verdadeiro potencial das células maduras.

No caso da cura de doenças genéticas, que são mais de sete mil, Mayana Zats disse que as CT maduras não geram bons resultados. Ela conta que um grupo de pesquisadores de Wisconsin (Estados Unidos) divulgou, nesta semana, resultados de estudo em que se obteve a regeneração da medula espinhal com uso de células embrionárias.

Pacientes com esclerose lateral miotrófica, por exemplo, doença que pode atingir pessoas de qualquer idade e que tem uma rápida evolução, poderiam se beneficiar do tratamento com CT embrionárias, segundo Mayana. A doença é a mesma que acomete o físico Stephen Hawking. A pesquisa cita outras doenças degenerativas como as atrofias espinhas progressivas, o Mal de Parkinson, que são estudadas no país e poderiam ser tratadas com estas células.

Ela defendeu o investimento em estudos de caracterização das células-tronco para avaliar não só potencial de se especializar em outros tipos de tecido, mas para saber exatamente quais os tecidos que cada célula pode originar, bem como a forma de reprodução e armazenamento.

Mayana Zats considera bastante promissor o uso de células-tronco de cordão umbilical, embora acredite que esse tipo de célula tenha mais potencial que as de medula e menos que as embrionárias.

– Elas parecem ser eficientes no combate a doenças hematológicas (das células do sangue), como a leucemia, a anemia falciforme e os linfomas. E ainda contra doenças metabólicas – avaliou.

Não se sabe, ao certo, quantos embriões estariam hoje congelados em clínicas de reprodução assistida e que não serão mais usados para fertilização. Pelo projeto da nova Lei de Biossegurança, de autoria do Executivo, e já alterado na Câmara dos Deputados, ficou de fora a permissão para o uso de células embrionárias.

– Acho que isso tinha que ser revisto porque não se pode limitar as pesquisas. E, definitivamente, as células-tronco de medula óssea têm uso limitado – concluiu Mayana