Matthew Barney participa de carnaval brasileiro

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Publicado segunda-feira, 3 de novembro de 2003 as 04:38, por: cdb

O artista norte-americano Matthew Barney, famoso pela série de cinco filmes intitulada ‘Cremaster Cycle’, chegou a São Paulo no último fim de semana para um projeto a ser realizado em parceria com o músico e produtor Arto Lindsay.

Barney e Lindsay devem criar um carro alegórico especialmente para o bloco do Cortejo Afro, que desfilaria pelas ruas de Salvador no dia 19 de fevereiro, uma quinta-feira de Carnaval. As fantasias usadas pelos integrantes do bloco também devem ser desenhadas por Barney.
Para o artista plástico e presidente do bloco, Alberto Pita, a idéia é fazer uma ‘intervenção estética no Carnaval de 2004’.

– Estamos negociando com o Arto. O Carnaval perdeu a sua cor, seus símbolos. Hoje é tudo igual, uma pasta só. Queremos resgatar as cores, fazer das roupas obras de arte – estas devem vir dos Estados Unidos – disse ele.

O Cortejo Afro existe há cinco anos e sempre contou com a participação de Arto Lindsay. No ano passado, cerca de 1.500 pessoas participaram do bloco, que sai pelo percurso Barra-Ondina na sexta-feira, sábado e domingo. Em 2004, o Cortejo fará um desfile especial na quinta-feira, com o projeto de Lindsay e Barney.

Segundo Pita, os quatro dias deverão trazer 3.500 convidados, sendo que 300 são só percussionistas. Ele também adiantou que o tema será o cinema de Glauber Rocha.
O projeto de Barney e Lindsay chegou a ser comentado no ano passado pela revista Artforum, uma das mais importantes publicações de arte do mundo.

Em nota, a revista dizia que o Carnaval brasileiro seria o próximo passo de Barney após o fim de seu ciclo de filmes Cremaster, que começara em 1994.

Em mais de seis horas de filmes, Barney mergulha num universo próprio, rodeado de mitos e fantasias, como num sonho. Ele mesmo aparece como ator em vários filmes, além do escritor Norman Mailer, do artista Richard Serra e da atriz Ursula Andress.

Entre as locações que ele filmou estão o prédio da Chrysler e o Museu Guggenheim, ambos em Nova York; uma Ópera em Budapeste; um estádio em Boise, em Idaho, sua cidade natal; além de passagens no Canadá, Escócia e Irlanda.

Os cinco filmes foram lançados no circuito artístico em períodos diferentes, de 1995 a 2002. Ele já expôs na Documenta de Kassel, em 1992, na Tate em 1995 e, neste ano, no Guggenheim de Nova York e no Museu de Arte Moderna de Paris.